6 de mar. de 2010

Dica do Xaxim: Ebbandflow - The Mask (2007)


Provavelmente esta é a dica mais obscura que escrevo até agora. Ebbandflow é uma banda de Barcelona, uma das cidades mais legais que tive o prazer de conhecer, que está em um local com clima privilegiado e que respira cultura por todos os cantos. Por isso, não fiquei muito surpreso quando soube que esta ótima banda vem de lá.

Por que classifico esta banda como obscura? Bom, não há muita informação sobre eles por aí. Parece ser uma banda local, que faz seus shows na região. Mas é daquelas bandas muito especiais, que faz um pop/rock com ótimos arranjos que mesclam instrumentos acústicos (incluindo metais sem exageros) e elétricos, com várias influências de world music e smooth jazz e algumas pequenas doses de rock progressivo.

O resultado impressiona em The Mask, seu último trabalho. A banda apresenta música de muita qualidade que, tenho certeza, agrada à grande maioria das pessoas, independentemente de seus gostos musicais. Trata-se, portanto, de uma banda que atingiu resultados que considero excepcionais. Além das características já citadas, esta ótima banda conta com uma grande vocalista, Edna Sey, além de arranjos vocais polifônicos de muito bom gosto.

Os destaques do disco são a faixa de abertura, "Through All This Rain", que apresenta uma batida complexa e alto-astral com várias partes instrumentais variadas, além da faixa-título, dividida em três partes que totalizam 19 minutos maravilhosos.

É uma pena que um disco tão bom seja tão desconhecido. Se quiser ouvir trechos do disco, basta acessar este link

Até!

28 de fev. de 2010

Comentários


Oi, pessoal,

é muito legal ver alguns comentários que surgem vez ou outra no blog! Comentem mais, é também por isso que as dicas do Xaxim são publicadas!

Por isso, agradeço a participação do Eduardo e do Leo!

E não se acanhem em discordar do que escrevo... ;-)

Abraços!

16 de fev. de 2010

Dica do Xaxim: Jeavestone - Spices, Species and Poetry Petrol (2008)


Jeavestone é um quinteto finlandês que lançou em 2008 seu segundo disco, Spices, Species and Poetry Petrol. O título curioso já é uma dica do som que esses caras fazem, uma vez que algumas músicas também têm nomes que seguem a mesma linha, como “Quela Puente!” e “The Power of Swankle(™)”.

O disco em alguns momentos me lembra o Queen no começo da carreira ou o Led Zeppelin, mas não se restringe a isso. Há momentos com alguns riffs mais pesados, momentos mais calmos, muitas variações de estilos e timbres (com direito até a flauta em momentos folk), além de uma boa dose de senso de humor em algumas faixas.

O que mais chama a atenção é que mesmo com todas essas variações não se tem a impressão de que os caras estão atirando pra todos os lados. Pelo contrário, dá pra notar uma banda inquieta e eclética que tem muita competência e nenhum medo de experimentar.

Há uma ou outra faixa mais comum, mas que não comprometem a obra como um todo. Como destaques, cito “The Plastic Landscaper” (uma paulada na moringa), “I’d Be Your Weakness” (a citada balada, muito bonita), “Your Turn to Run” e “Innocence - Voices of the Shadows - The Relief”.

Até a próxima!

22 de jan. de 2010

Dica do Xaxim: Tilt - Million Dollar Wound (2009)


Tilt é o nome de um novo projeto inglês com caras que tocaram em diversas bandas como Simple Minds e Stiltskin. Todos os integrantes, entretanto, tocaram com o Fish, juntos ou em diferentes momentos, fato que chamou minha atenção para a banda. No ano passado, esses caras resolveram montar um projeto, chamar alguns vocalistas e guitarristas pra ajudar, e lançar um EP.

O resultado é Million Dollar Wound, composto de cinco faixas que totalizam meia hora. Pena que é tão curto. O disco tem algumas influências progressivas, mas a tônica é o rock moderno que mistura vários estilos (entra até blues na jogada), exceto por não utilizar guitarras distorcidas (o que me agrada).

A seqüência de faixas alterna momentos mais agitados com outros mais “viajantes”. O uso de vocalistas diferentes em cada música (um cara que não compromete e duas moças que mandam bem) torna a coisa ainda mais interessante.

O destaque do disco pra mim é a segunda faixa, “Long Gone”. A única crítica que faço é que algumas faixas terminam de forma abrupta, o que podia ser melhor trabalhado. De qualquer forma, seria ótimo ver os caras lançando um disco inteiro.

Se quiser conferir, é só acessar a página da banda no MySpace.

Abraços!

6 de jan. de 2010

Dica do Xaxim: Karnataka - Delicate Flame of Desire (2003)


Ao tentar escolher um dos discos do Karnataka para escrever a dica anterior, fiquei em dúvida porque o último álbum lançado pela banda em sua formação original também é muito bom. Então tive a feliz ideia de ouvir os dois trabalhos em sequência para me decidir, mas não consegui. Assim, resolvi escrever sobre os dois discos.

Em linhas gerais, The Storm brilha por ser mais intimista, enquanto Delicate Flame of Desire me parece mais maduro que seu antecessor. Os dois discos apresentam rock/pop com arranjos delicados, mas neste último a banda apresentou algumas diferenças: as influências sinfônicas ganham um pouco mais de espaço e os arranjos parecem um pouco mais elaborados, além de que a guitarra do bom Paul Davies aparece mais.

A diferença mais importante está na adição da vocalista Anne-Marie Helder, responsável pelos backing vocals e que também toca flauta no disco. Também boa cantora, ela se sai bem em ambos os papéis, agregando complexidade aos arranjos. Assim, este disco consegue apresentar vocais diferentes de seu antecessor e ambos são muito legais.

Como destaques , cito as composições mais longas, a faixa-título e “Heart of Stone”, que são muito bem trabalhadas e apresentam mais variações em suas estruturas, além de “One Breath Away”, que tem uma levada eletrônica diferente do estilo da banda e que ficou legal.

Atualmente Anne-Marie Helder é a vocalista principal do Panic Room, acompanhada pelo citado Paul Davies, além do tecladista Jonathan Edwards e do baterista Gavin Griffiths, que também fizeram parte da formação original do Karnataka.

Até a próxima!

Dica do Xaxim: Karnataka - The Storm (2000)


O País de Gales tem produzido boas bandas de rock progressivo. Algumas delas misturam música celta ao rock, outras pendem mais pro rock sinfônico, outras para uma levada mais roqueira com menos influências progressivas e outras fazem um som pop/rock em que mostram algumas das características citadas acima.

Karnataka é uma banda representante do último grupo e tem uma biografia meio complicada de entender. A banda existiu entre 1996 e 2004, lançando três discos mais um duplo ao vivo no período, quando para surpresa de seus fãs se desfez. Seus membros da época hoje estão em três bandas diferentes: Panic Room, The Reasoning (ambas com dois discos já lançados) e o próprio Karnataka, com uma nova formação que conta apenas com o baixista Ian Jones da formação original (e que está para lançar o primeiro disco).

The Storm, o segundo disco lançado pela banda original em 2000, é uma delícia de ouvir. Todas as músicas apresentam arranjos delicados com os teclados se sobressaindo, alternando em sequência correta momentos mais calmos com outros mais agitados, em que a guitarra aparece bem. A melhor composição do disco é a faixa-título que encerra o álbum, apresentando uma progressão lenta e constante com uma melodia vocal linda que leva a um solo de guitarra de muito bom gosto.

O disco seria bom considerando apenas os fatores acima, mas ele se torna ainda melhor devido à vocalista Rachel Jones. Afinadíssima, dona de uma voz algo grave e ao mesmo tempo delicada, ela abrilhanta o disco com ótimas interpretações. Hoje ela faz parte do The Reasoning (que tem uma levada mais roqueira), mas aparece mais fazendo backing vocals e cantando um trecho ou outro. É um baita desperdício.

31 de dez. de 2009

Feliz 2010!



Agradeço a todos os que visitaram o Rock do Xaxim em seu ano de estreia! Desejo um ótimo Ano Novo a todos e que 2010 seja o melhor ano de nossas vidas até agora!

Abraços,
Sergio

28 de dez. de 2009

Dica do Xaxim: Nemo - Barbares (2009)


O álbum que fecha a lista de melhores de 2009, Barbares, da banda francesa Nemo, foi lançado no começo do ano, mas não poderia ficar de fora da minha relação, porque é um baita disco.

Depois de lançar dois discos conceituais em torno da mesma estória, Si Partie I (2006) e Si Partie II: L’Homme Ideal (2007, um discaço), desta vez a banda optou por lançar um disco com formato padrão, embora a faixa título seja uma suíte de 25 minutos dividida em sete partes.

O grande mérito do quarteto está na qualidade da composição, uma vez que eles priorizam os arranjos, mas não deixam de mostrar bons solos. O que mais impressiona é a fluidez com que a banda varia em uma mesma música partes de heavy metal, outras com bom swing e outras mais delicadas, colocando sempre os timbres certos para cada momento e criando combinações interessantes, como guitarras bem distorcidas fazendo a base para dedilhados de piano.

Todas as faixas do álbum são boas, mas o grande destaque é mesmo a faixa-título, na maior parte instrumental (com temas que se repetem de vez em quando em diferentes arranjos). Ela tem um trecho que poderia estar em um álbum do Jethro Tull e tem um final daqueles que dá vontade de ouvir tudo de novo. Com Barbares, o Nemo lançou outro petardo e pra mim se estabeleceu definitivamente como um dos principais expoentes do rock progressivo moderno, mesmo com as letras em francês.

Até!

24 de dez. de 2009

Feliz Natal!



Desejo a todos vocês e vossas famílias um ótimo Natal, repleto de paz, amor e saúde! E torço para que o espírito natalino possa se fazer presente entre todos nós durante muito tempo!

Abraços!

Sergio

23 de dez. de 2009

Dica do Xaxim: Transatlantic - The Whirlwind (2009)


Depois de oito anos, eis que o genial Neal Morse (ex-Spock's Beard) resolveu abrir uma exceção em sua exclusiva carreira solo com temática religiosa e se reuniu aos aclamados Roine Stolt (The Flower Kings), Pete Trewavas (Marillion) e Mike Portnoy (Dream Theater, de quem Morse nunca se distanciou uma vez que é figura constante nos discos “prog gospel” do compositor) para lançar um disco inédito de um dos mais bem sucedidos supergrupos da história do rock progressivo: o Transatlantic.

A exceção aberta não foi lá muito radical, uma vez que as letras do novo disco continuam apresentando fundo religioso. A bem da verdade, o último disco dele com sua banda de origem (Snow, também de 2001), já continha mensagens religiosas.

The Whirlwind não apresenta grandes modificações em relação aos dois discos anteriores lançados pelo supergrupo, mas há algumas diferenças importantes. Primeiro, embora a maioria das músicas continue sendo obra do gênio do Neal Morse, os primeiros discos se pareciam mais com o Spock’s Beard, enquanto que este lembra mais sua carreira solo. Segundo, este disco cede mais espaço para composições do Roine Stolt que os anteriores, e ele aparece mais nos vocais.

As diferenças não param por aí. O disco apresenta uma única suíte de quase uma hora e vinte minutos, dividida em doze partes ao invés de apresentar duas faixas independentes de mais ou menos meia hora e outras poucas faixas menores como nos discos anteriores.

Embora o disco alterne grandes momentos com outros bons e outros nem tanto, o disco mantém o pique durante o tempo todo, mesmo sem trazer muitas novidades em termos musicais. A velha fórmula consagrada continua presente: alternar estilos que transitam pelo rock sinfônico, partes mais pesadas, influências de jazz e baladas pop, além de repetir linhas melódicas sob diferentes roupagens (no que o Neal Morse é mestre).

Por fim, queria comentar sobre outro destaque importante: este é o melhor disco da carreira do Pete Trewavas, que arrebenta no disco, além de cantar e compor alguma coisa. Eu acho sua performance no início do Marillion comum, mas é notável como ele vem melhorando de uns anos pra cá. É muito bom poder ouvi-lo cantar e se afirmar como um dos principais baixistas do cenário progressivo atual.

Até a próxima!

20 de dez. de 2009

Finalizando a lista de dicas dos melhores de 2009


Procuro priorizar em minhas dicas bandas que não sejam muito conhecidas, uma vez que há bastante leitura disponível por aí sobre os discos e artistas mais badalados.

Minha lista de melhores do ano inclui em sua maioria álbuns que também se enquadram em minha proposta original. Fato é que tenho me cansado um pouco da mesma fórmula (talvez exaurida) de medalhões do progressivo, e mesmo quando eles mudam alguma coisa, não são bem sucedidas na maioria das vezes.

Considero esse processo normal. Acho muito difícil para um artista ou conjunto manter o pique por tanto tempo criando coisas diferentes. A meu ver, isso acontece com todas as bandas em maior ou menor grau.

Entretanto, a lista de melhores discos de 2009, que já conta com oito lançamentos e será completada por mais dois álbuns até o final do ano, fugirá um pouco da minha proposta original. Afinal, nela consta também um álbum lançado por uma banda que dispensa apresentações, sobre o qual comentarei em alguns dias (se alguém quiser arriscar um palpite sobre qual será o disco, fiquem à vontade...)

A lista não contém, por exemplo, o disco The Incident do Porcupine Tree, mas isso não significa que eu não tenha gostado do disco. Na verdade, achei que o disco tem alguns grandes momentos mas na média é apenas razoável e por isso ele não está entre meus melhores do ano.

Bom, já excluí uma opção de seus palpites... ;-)

19 de dez. de 2009

Dica do Xaxim: Izz - The Darkened Room (2009)


A banda Izz, formada em Nova Iorque, é uma das grandes bandas do cenário progressivo americano atual, embora não tenha a mesma popularidade de outras bandas mais famosas. The Darkened Room, lançado neste ano, é mais um grande álbum desta promissora banda, que se junta aos também ótimos I Move (2002) e My River Flows (2005).

Formada em 1998 pelos irmãos John (que manda muito bem no baixo) e Tom Galgano (que também manda muito bem nos teclados e é o principal compositor, além de vocalista principal), a banda conta ainda com a boa vocalista Anmarie Byrnes, que na maior parte do tempo empresta sua voz a ótimos arranjos polifônicos, e que também aparece como vocalista principal em alguns trechos. Além deles, a banda conta com Paul Bremmer nas guitarras, Greg DiMiceli na bateria e Brian Coralian na percussão, que mandam muito bem em seus respectivos instrumentos.

O novo disco não apresenta lá grandes inovações em relação aos trabalhos anteriores, e isso é ótimo. Em linhas gerais, o som da banda apresenta linhas polifônicas vocais fortemente influenciadas pelos Beatles (e que portanto lembram alguns momentos do início da carreira do Yes), com estruturas que alternam entre o rock progressivo clássico (e que em alguns momentos lembram Yes e/ou King Crimson) e influências mais modernas, o que confere originalidade ao trabalho da banda.

Todas as músicas do disco são boas, mas merecem destaque a faixa de abertura, “Swallow Our Pride”, e a penúltima “23 Minutes of Tragedy”. O grande destaque do disco, entretanto, é a música “Can’t Feel the Earth”, dividida em três partes não sequenciais. Cada uma destas partes funciona bem tanto individuamente quanto quando ouvidas em sequência.

Pra mim, o disco do ano!

Até já!

22 de nov. de 2009

Dica do Xaxim: Steve Thorne - Into the Ether (2009)


Steve Thorne é um cantor e compositor oriundo de Southampton, Inglaterra, que gravou dois bons álbuns chamados Emotional Creatures (a parte 1 foi lançada em 2005 e a parte 2 em 2007). Talvez por este motivo e pelo fato de contar com músicos de nome do cenário progressivo atual o artista seja listado nos principais sites do gênero, mesmo que seu trabalho tenha ênfase nas canções com algumas nuances de rock progressivo.

Into the Ether, último trabalho do cara lançado neste ano, mantém a linha dos bons discos anteriores com doses um pouco maiores de progressivo (a faixa mais progressiva do disco é “Granite Man”, um musicaço). Além de ser um cantor bem razoável, daqueles que não se destacam muito, mas também não desafinam, ele é capaz de criar boas letras com melodias vocais bonitas, simples e eficientes, variando momentos mais agitados e baladas acústicas bacanas de se ouvir.

Acompanhado de ótimos músicos, como os baixistas Pete Trewavas (Marillion, Transatlantic, Kino), Tony Levin (King Crimson, Peter Gabriel) e John Giblin (Brand X, Fish), os bateristas Nick D'Virgilio (Spock’s Beard) e Gavin Harrison (Porcupine Tree), o tecladista John Beck (It Bites) e os guitarristas John Mitchell (It Bites) e Gary Chandler (Jadis), além do próprio artista nos vocais e violões, o disco apresenta ótima produção, com 11 músicas bem balanceadas em sequência correta, que agradam tanto aos fãs de progressivo quanto aos que querem simplesmente ouvir boa música.

Por fim, mais um detalhe. Apesar de ter gostado do disco desde a primeira vez que o ouvi, esta é uma daquelas obras que vai ficando melhor com o tempo, talvez por ter maiores influências de progressivo, mas que não descaracterizaram seu trabalho. No todo, Steve Thorne lançou seu terceiro bom disco e ainda mostra que evoluiu como artista. Para mim, um dos grandes discos deste ano.

Até a próxima!

31 de out. de 2009

Dica do Xaxim: Black Bonzo - Guillotine Drama (2009)


Houve ao longo das últimas décadas várias bandas que tentaram tocar hard rock, mas não vingaram ou não duraram muito porque o estilo não está em voga faz tempo, embora muita gente ainda o ouça. Mesmo o Deep Purple, pra citar um exemplo de uma banda que ainda está na ativa, não tem a mesma pegada de antes, o que é normal. Por isso, a maioria das bandas novas de hard rock não me agrada tanto. Isso aconteceu até conhecer uma banda sueca chamada Black Bonzo.

Fiquei sabendo dessa banda em 2006 através de pesquisas em bons sites de rock progressivo, e ela consta em muitos lugares como sendo pertencente ao gênero. Não me parece o caso. O som que a banda faz é uma mistura dos sons dos ícones do hard rock dos anos 70: tem um pouco de Deep Purple, um pouco de Led Zeppelin, um ou outro trecho com arranjos vocais que lembram os do Queen, etc. A influência mais nítida, no entanto, é do Uriah Heep, que era mesmo a que mais flertava com o progressivo (e todas elas o fizeram), mas mesmo ela tinha como principal característica o som típico do hard rock inglês da época.

E o que esta banda sueca tem de especial, então? Bom, eles não estão nem aí se a música que eles tocam vai soar datada e parecem não se preocupar nem um pouco se alguém disser que eles não têm originalidade. Sabe por quê? Porque eles tocam muito e acertam muito mais do erram desde o primeiro disco, Lady of the Night, lançado em 2004.

Guillotine Drama, o terceiro disco da banda lançado neste ano, consegue ser ainda melhor que os anteriores. O álbum tem uma sucessão de pauladas muito bem executadas, vários solos "do cacique” tanto de guitarra quanto de órgão, cozinha rítmica pra lá de competente, além de um ou outro momento mais baladeiro que quase sempre acaba culminando em nova paulada.

O que mais me chamou a atenção neste novo disco é que ele varia um pouco mais entre as influências citadas (por exemplo, em “Because I Love You”, uma mistura de Deep Purple e Trapeze que ficou sensacional, e em “Zephyr”, que poderia constar em um disco do Queen da década de 70). O ótimo som do Uriah Heep ainda se faz presente (como em “Supersonic Man”, uma bela escolha para fechar o álbum), mas no geral achei este disco mais equilibrado que os anteriores.

Se você gosta de hard rock, acho que vai curtir este disco!

25 de out. de 2009

Dica do Xaxim: Wobbler - Afterglow (2009)


A dica da vez vai para o “novo” disco da banda norueguesa Wobbler, chamado Afterglow. A razão das aspas deve-se ao fato de que, embora tenha sido lançado neste ano, o disco contém cinco faixas antigas e inéditas compostas em 1999.

Apesar da curta duração (o disco tem 34 minutos), não se trata de um caça-níquel e é um prato cheio pra quem gosta de teclados. As duas faixas mais longas são bem variadas e experimentais, ora com riffs típicos da vertente mais pesada das bandas nórdicas, ora com trechos psicodélicos misturados com alguns momentos mais calmos. As músicas são recheadas de teclados tradicionais como órgão e Mellotron, e têm alguns trechos cantados que não acrescentam muito (por sorte a maior parte é instrumental).

Já as faixas mais curtas são acústicas, com ênfase no violão e um clima que puxa pro folk, o que confere uma certa variedade ao disco. Entre as faixas, a que mais me chamou a atenção foi "In Taberna", que tem um trecho de puro rock lá pelo oitavo minuto que ficou excelente.

Se você curte o chamado heavy prog, eis um disco que pode te interessar.

Até a próxima!

12 de out. de 2009

Dica do Xaxim: Parzivals Eye - Fragments (2009)


Parzivals Eye é o nome do projeto encabeçado pelo baixista Chris Postl, da banda alemã RPWL, que já gravou quatro discos bastante influenciados pelo Pink Floyd.

Neste projeto, o baixista montou uma banda com bons nomes do cenário progressivo: nos vocais, a banda conta com nada menos que Alan Reed (da banda Pallas) e a ótima Christina Booth (da banda Magenta), que se alternam entre as músicas e também cantam juntos em alguns momentos; para os teclados, o baixista chamou seu companheiro de banda Yogi Lang; e para as guitarras, o guitarrista Ian Bairnson, do Alan Parsons Project.

Como resultado, o disco de estreia, Fragments, apresenta as citadas influências de Pink Floyd, mas o resultado é um pouco diferente da banda de origem do baixista. Há influências claras do citado Alan Parsons, dos Beatles (e essa influência é sempre uma coisa boa num disco), de neo prog em geral e uma boa dose de músicas mais básicas.

A primeira faixa, “Longings End”, conta com 13 minutos e mistura todas essas características citadas acima, com muitas variações e resultados muito legais. Além desta, a última, chamada "Another Day", tem quase 10 minutos e segue a mesma receita, com resultados também muito bons.

As demais músicas apresentam propostas mais diretas, sempre com bons resultados, e variam entre o rock/pop mais básico e/ou psicodélico (com destaque para “Disguise”, “Chicago” e “Through Your Mind”), o neo prog (“Meanings” e “Where Have Your Flowers Gone?” me agradaram mais), trechos mais pesados (caso da faixa-título) e arranjos mais trabalhados (casos de “Skylights” e “Wide World”).

Assim, esse disco pode não estar na relação dos melhores dos fãs mais xiitas de progressivo, o que não é meu caso. Se também não for o seu e se estiver a fim de ouvir boa música variada e com influências de progressivo, esse disco tem uma proposta honesta e que vale a pena conferir.

Por fim, não poderia encerrar esta dica sem um comentário sobre a vocalista Christina Booth. Apesar de não aparecer muito no disco, ela mais uma vez dá um show em “Chicago”. Além da bela voz que usa para cantar com uma facilidade assombrosa, ouvi-la em outra banda que não o Magenta mostra que ela está amadurecendo cada vez mais como intérprete. Pra mim, ela é a melhor vocalista do cenário progressivo atual.

Até a próxima!

4 de out. de 2009

Um anjo que se vai...



Morreu Mercedes Sosa, em minha opinião uma das maiores cantoras que já existiu, senão a melhor.

Estou bastante chateado, mas o fato é que, mesmo sendo apenas intérprete, ela deixou um legado inigualável de música folclórica sulamericana, cantando de forma magistral e sem preconceitos músicas de várias partes do nosso continente com sua voz potente e incrivelmente afinada, mas que sabia ser também delicada. Mercedes Sosa ganhou um dom raro, muito raro, e soube utilizá-lo como poucos.

Tenho um disco dela gravado ao vivo em Buenos Aires na década de 80 que é daqueles álbuns essenciais e obrigatórios. A versão de “Gracias a La Vida” deste disco (aliás, esta música tem uma letra maravilhosa!) é daquelas coisas que não podem ser melhoradas, e a reação do público quando a música está chegando ao final é tão especial que quase não dá pra ouvir a cantora fazer malabarismos impressionantes com sua voz.

Descanse em paz, Mercedes. E obrigado!

20 de set. de 2009

Dica do Xaxim: Phideaux - Number 7 (2009)


Phideaux Xavier é um multi-instrumentista oriundo de Los Angeles que curte rock progressivo, especialmente do tipo psicodélico ou folk. Em 2003, ele resolveu colocar em prática suas idéias musicais, contando sempre com o baterista Rich Hutchins nas baquetas e um monte de outros músicos que variam a cada disco, lançando nada menos que sete álbuns durante esse período.

Number 7 é o último lançamento do cara, que junto com o baterista intitula a banda como Phideaux. De cara, duas surpresas. Primeiro, era esperado o lançamento da última parte de uma trilogia, que complementaria a história tocada, contada e cantada dos discos The Great Leap (2006) e Doomsday Afternoon (2007), este último um ótimo álbum em minha opinião e que merece uma dica específica a ser publicada no futuro.

Ao invés disso, entretanto, os caras resolveram que o material destinado a tal última parte ainda precisava ser mais trabalhado. Mais especificamente, durante as sessões os caras acabaram compondo outra estória que não tem a ver com a trilogia, mas acharam que dava um bom disco. Então, resolveram interromper a trilogia, com outro anúncio surpreendente: seu final está prometido para o fim deste ano e será intitulado 7 ½.

Voltando ao último lançamento, trata-se também de um álbum conceitual dividido em três partes, cada uma contando com pouco mais de 20 minutos. As três partes são divididas em trechos menores, que funcionam bem como obras individuais, mas que também se encaixam bem na obra como um todo. As letras são meio doidonas e cheias de figuras de linguagem, o que conferem ao disco um clima psicodélico, e o uso alternado de voz masculina (meio nasalada, mas que não compromete) e feminina (muito boa, por sinal) é um dos pontos fortes do disco.

Musicalmente, a principal influência é o Pink Floyd, mais orquestrado e com som e produção modernos. A segunda parte, entretanto, lembra o Jethro Tull do A Passion Play, também mais moderno, e é minha preferida, enquanto que a terceira tem um trecho cantado em italiano que lembra rock progressivo... italiano... (hehehe). Esse é o grande charme do disco: a banda conseguiu mais uma vez lançar uma obra baseada em influências bem conhecidas, mas sempre agregando sua marca.

A única crítica que faço ao disco é que o final da terceira parte poderia trazer um clímax mais intenso, e o disco meio que acaba deixando o ouvinte na mão.

Se você gosta de rock progressivo com vários instrumentos em arranjos bem trabalhados e não se importa em ouvir uma obra com boas passagens instrumentais, mas com ênfase em sua estória em vez de praticar virtuoses musicais o tempo todo, é provável que curta este disco tanto quanto eu.

4 de set. de 2009

Dica do Xaxim: BeardFish - Destined Solitaire (2009)


Continuando as dicas sobre meus candidatos a figurar na relação de melhores de 2009, o disco em destaque desta vez é o último lançamento da banda sueca BeardFish.

A banda já tem uma sólida reputação estabelecida e é bem conhecida no meio do rock progressivo, uma vez que vem lançando ao longo do tempo discos bem produzidos com estilo eclético, por vezes meio maluco, sempre executado com muita competência. Destined Solitaire mostra que a banda mantém seu ápice, atingido no disco antecessor, Sleeping in Traffic: Part Two, lançado em 2008.

Não há grandes mudanças neste disco em relação ao que a banda está acostumada a fazer, o que é ótimo. Há vários estilos presentes no disco, desde rock sinfônico ou psicodélico, passando por pequenos trechos de prog metal, art rock, jazz, tango (é, tem até bandoneon na instrumental “Coup de Grâce”), até o que costumo chamar de música de boteco europeu, em que fico imaginando os caras mamados cantando músicas folclóricas típicas de lá.

Nesse sentido a terceira faixa, “Until You Comply / Entropy”, é uma obra-prima, mesclando trechos em que o rock rola solto, com outros mais calmos com piano, outros com órgão bem marcado, e por aí vai. O que mais chama a atenção na banda, entretanto, é que uma mesma música passa por essas combinações improváveis de estilos com uma fluidez impressionante.

Em outras faixas, o bom vocalista Rikard Sjöblom (responsável também pelos bons teclados) canta letras malucas e engraçadas, como em “In Real Life There Is No Algebra”. Apesar de curta, ela tem um swing bem marcado em que a banda flerta com jazz, com resultados muito bons.

Não há uma música ruim no disco e como resultado tem-se um álbum bem variado e moderno que diverte na maior parte do tempo e que dá vontade de ouvir de novo após seu término.

Até a próxima!

Aviso e pedido


Oi, pessoal,

Antes de publicar a próxima dica de bons discos lançados em 2009, acho importante esclarecer que as mesmas são publicadas em ordem aleatória, não representando qualquer ordem de preferência.

Além disso, seria legal saber se as dicas ajudaram ou atrapalharam. Assim, se já tiverem ouvido ou vierem a ouvir algum disco postado neste blog, peço por favor que comentem sobre o que acharam.

Desde já agradeço!