19 de fev. de 2011

Dica do Xaxim: Marillion - Seasons End (1989)


Faz tempo que não escrevo sobre um bom álbum não muito reconhecido de uma banda mais famosa, e certamente Seasons End, o primeiro do Marillion com Steve Hogarth nos vocais, se encaixa nessa categoria. Mais do que isso, me atrevo a dizer que este disco chega a ser injustiçado apenas porque não conta com o vocalista original.

Depois da conturbada separação entre o vocalista Fish e a banda, que juntos lançaram quatro bons ou ótimos discos e foram responsáveis por manter mais ou menos vivo o rock progressivo nos anos 80, os membros remanescentes buscaram um substituto que não lembrasse o antecessor, e acabaram encontrando o parceiro ideal no vocalista e tecladista que antes passou pelas bandas Europeans e How We Live.

Seasons End
mantém muito do som tradicional da banda, embora traga algumas novidades. A primeira é a presença do novo vocalista. Embora não seja tecnicamente genial, assim como Fish tampouco o é, Steve Hogarth transpira emoção em todas suas interpretações, e em minha opinião só não é tão reconhecido quanto seu antecessor porque não se maquia e não apresenta atitude tão influenciada por Peter Gabriel.

A segunda novidade se apresenta em alguns momentos em que a banda se aproxima do pop, mais evidente em “Hooks in You”, que fez certo sucesso nas rádios e em “Berlin”, que soa como se o U2 em seu auge encontrasse o progressivo, nesse caso atingindo ótimos resultados. Esta mudança ficaria mais evidente em seus discos seguintes, embora a banda nunca tenha deixado sua veia progressiva morrer.

Por fim, a última novidade se nota nas letras. A primeira fase contou com letras muito inteligentes, que criticavam vários aspectos sociais e individuais da vida moderna, mas com tendências depressivas. Nesta nova fase as letras assinadas por John Helmer e pelo novo vocalista continuam inteligentes, mas se apresentam de forma mais elegante e com um tom mais positivo. As letras de “Easter” e “The Space” são daquelas que estapeiam o ouvinte chamando a atenção para aspectos simples mas sempre esquecidos da vida, e que dão margem a várias interpretações.

No todo, Seasons End é um daqueles grandes álbuns em que todas as músicas são boas, por vezes brilhantes, contando com ótimas melodias instrumentais e vocais. Embora toda a banda se apresente bem, o guitarrista Steve Rothery se destaca. Mais do que isso, naquela época ele estava em seu auge, motivo mais que suficiente para ouvir este dicaço!

Inté!

12 de fev. de 2011

Dica do Xaxim: The Third Ending - The Third Ending (2006)


Estive revisitando o ótimo disco de estreia (e por enquanto o único) da banda australiana The Third Ending, e me lembrei de que em 2007 escrevi uma resenha sobre o disco no site ProgBrasil, cujo link pode ser encontrado na seção de bons sites do lado direito da página.

Como minhas opiniões sobre o álbum continuam essencialmente as mesmas e a banda ainda é pouco conhecida, o que se encaixa no perfil das Dicas do Xaxim, resolvi republicar o texto por aqui, em itálico e com uma ou outra edição. Como sempre, espero que vocês curtam mais esta dica!

A grande maioria das principais bandas que fizeram sucesso no mundo progressivo a partir do fim da década de 80 e início da década de 90 derivaram seus sons de outras bandas progressivas, adicionaram elementos não chamados de progressivos até então e criaram seu próprio som.

Citarei aqui três exemplos. O Dream Theater misturou o power metal do fim da década de 80 a composições longas e estruturas típicas do progressivo tradicional dos anos 70 com o uso de teclados, o que, aliado à extrema competência de seus músicos, fez com que a banda se tornasse o principal expoente do chamado prog-metal.

O Porcupine Tree se influenciou do prog psicodélico do Pink Floyd e o misturou com o som mais depressivo do Radiohead, o que, aliado a belas melodias vocais, a um som típico do metal moderno e à extrema competência de Steven Wilson e seus comparsas, fez com que a banda se transformasse no principal expoente do progressivo atual.

O Spock's Beard em vários momentos lembra as estruturas de bandas clássicas do progressivo dos anos 70 (Gentle Giant, Genesis e Yes me parecem as influências mais evidentes), misturando todas essas características numa banda única, o que, aliado a guitarras distorcidas típicas do grunge do início dos anos 90 e à extrema competência e carisma do Neal Morse, fez com que a banda se transformasse em uma das principais responsáveis por mais um renascimento do progressivo tradicional.

Não se pretende aqui incluir uma tese sobre o desenvolvimento do progressivo atual ou enaltecer as bandas citadas e outras que não foram citadas. O que se pretende demonstrar é o que está descrito no primeiro parágrafo, ou seja, que bandas são influenciadas por outras e que, se forem bastante competentes, acabam criando sua própria identidade.

De qualquer forma, você que lê esta humilde resenha deve estar se perguntando o motivo de eu citar estas três bandas que derivam de outras. Eu devolvo a pergunta: independentemente de concordar ou não com minhas opiniões, consegui despertar sua atenção ao citar estas três bandas? Se consegui, é provável que esta resenha seja de seu interesse.

The Third Ending, disco de estreia de mesmo nome da banda australiana (mais precisamente da Tasmânia), é um álbum que deriva de outras bandas. Mais especificamente, do som do Dream Theater, ao incluir alguns trechos de prog-metal (caso da ótima instrumental "Tungsten Blues" e de trechos da suíte final); do som do Porcupine Tree, ao incluir sons mais eletrônicos, progressões com belos solos e melodias mais depressivas (casos de "Eleven", "Back Home", "Can You Hear Me?" e de trechos da suíte final).

E do som do Spock's Beard, ao incluir órgão e belas melodias vocais que grudam na cabeça aliadas ao som de pianos e violões em arranjos muito bem pensados (caso de "Can You Hear Me?"); ao incluir uma suíte dividida em várias partes (caso da suíte final, cuja estrutura remete a "The Healing Colours of Sound", que vai de "Fingerprints" até "Fingerprints (reprise)", e que conta com um refrão revisitado em outro arranjo); isso sem falar nas ótimas melodias vocais e no timbre do vocalista Nick Storr.

O que chama muito a atenção no disco é que essas derivações são evidentes e mesmo assim o resultado final é excelente, assim como nos discos das bandas das quais o The Third Ending deriva. Isso acontece ao meu ver por um motivo quase óbvio: a banda mistura suas várias influências em uma mesma música, o que parece simples, mas raramente isso é executado com tamanha competência porque exige enorme esforço de composição para não se tornar meramente derivativo, e é isso o que confere à banda uma identidade própria, exatamente como feito anteriormente pelas grandes bandas que a influenciaram.

Não há uma única música neste disco que não seja no mínimo boa, e por isso é difícil encontrar destaques, o que é um ótimo sinal. Este álbum é daqueles que deixam o ouvinte viajando e querendo mais, o que é um enorme feito para um disco de estreia. Fica aqui a torcida para que esses caras mantenham esse nível nos discos seguintes, porque o primeiro já é um disco de gente grande e talentosa.

30 de jan. de 2011

Dica do Xaxim: Pure Reason Revolution - The Dark Third (2006)


Quem é mais velho deve se lembrar do desenho “Josie e as Gatinhas”, que virou um filme meia-boca não faz muito tempo. O desenho, que era bem melhor, mostrava uma grupo musical composto por moças e seus amigos que viviam arrumando confusão. O mais legal do desenho é que as músicas da banda eram legais, com um rock que não era não tão básico e que mostrava boas melodias vocais.

Pure Reason Revolution é uma banda inglesa que faz um som moderno com fortes doses do chamado rock alternativo, mas por vezes as melodias vocais lembram aquelas do desenho. Claro que isso se deve em grande parte à presença da baixista Chloe Arper, que canta em algumas músicas. Mas o que faz mesmo me lembrar do desenho são as partes com melodias vocais polifônicas claramente inspiradas na banda The Beach Boys.

Você não leu errado. Em The Dark Third, seu álbum de estreia, a banda mistura propositalmente timbres e estruturas modernas, incluindo sons eletrônicos bem dosados, com elementos de rock psicodélico e algumas pitadas sinfônicas, adicionando ótimas melodias vocais com enorme competência, o que confere originalidade ao seu trabalho e agrada a um público variado.

O álbum começa arrasador nas quatro primeiras faixas, variando de forma muito eficiente os estilos citados, com especial destaque para “Goshen’s Remains”, que tem uma melodia vocal daquelas que grudam no ouvido e não largam, e para “The Bright Ambassadors of Morning”, faixa mais progressiva de quase doze minutos que mistura todos os estilos, incluindo aí a repetição de melodias vocais sob roupagens diferentes.

A partir da quinta música, a banda não se mostra tão inspirada, embora os resultados estejam longe de ser ruins. A banda segue ora por um caminho mais calmo, em que os resultados não são tão impactantes, ora por um estilo mais pesado, com algum exagero. A exceção é a última faixa, “He Tried to Show Them Magic – Ambassadors Return”, uma releitura da faixa mais longa do disco que retoma o pique do início do álbum.

Na média, entretanto, The Dark Third é um álbum que se destaca, fato que gerou grande expectativa em torno da banda, que se tornou razoavelmente conhecida. Pena que os discos que vieram depois não cheguem nem perto do seu álbum de estreia, como acontece com várias bandas promissoras. Fica aqui a torcida para que eles repitam a fórmula e lancem mais um grande disco.

1 de jan. de 2011

Feliz 2011!



O Rock do Xaxim deseja a você um 2011 com muita saúde, paz, harmonia e música!

Valeu!

31 de dez. de 2010

Melhores de 2010: Steve Unruh - Challenging Gravity


Steve Unruh parece nome de jamaicano que toca reggae, mas não é bem o caso. O cara é um músico americano que toca vários instrumentos, principalmente acústicos, misturando na maior parte do tempo progressivo e folk. Apesar de já ter gravado vários discos, muitos deles bem legais e um que considero uma obra-prima, ele é praticamente desconhecido, o que é uma baita injustiça.

Challenging Gravity é seu nono álbum, e não decepciona. O disco mantém a linha de seus antecessores ao mesclar de forma original vários instrumentos acústicos, como violão, violino e flauta (o único instrumento por vezes elétrico é o contrabaixo). OK, a ideia de mesclar esses instrumentos não é original, mas usar flauta e violino em substituição aos teclados não é algo muito comum.

O que confere grande originalidade à carreira do músico, entretanto, é a forma como o cara arranja os instrumentos, alternando momentos folk, pop, sinfônicos e alguns momentos heavy metal, às vezes tudo isso em uma mesma música. Agora imagine combinar instrumentos acústicos como os citados numa batida rápida que por vezes conta com dois bumbos.

A novidade deste último trabalho em relação aos demais discos é a faixa instrumental “The Path to Alhambra”, que mescla de forma magistral tango, flamenco, clássico e rock e que culmina num arranjo sinfônico que deixaria Astor Piazzolla orgulhoso. Outra faixa de destaque é “Dissolve”, mas o álbum não se resume a isso, e os ótimos arranjos se repetem ao longo de todo o disco, com resultados muito bons.

Ah, sim, sobre o disco que considero sua obra-prima, vou manter o suspense para uma próxima Dica do Xaxim. Prometo que escrevo logo a respeito... ;-)

26 de dez. de 2010

Melhores de 2010: Moon Safari - Lover's End


Uma das primeiras dicas do Xaxim fala sobre o primeiro disco da banda sueca Moon Safari, A Doorway to Summer, que remete a um estilo de progressivo “light” (a dica pode ser acessada aqui). No último trimestre de 2010, a banda apresentou seu terceiro disco, em que mantém o mesmo estilo mas retorna ao formato de disco simples.

Considero a maioria dos álbuns duplos longos demais, o que não ocorre de forma tão explícita no trabalho anterior, o também bom [blomljud]. Ao contrário também do que ocorre em muitos casos, a volta ao formato de um único disco não fez com que o novo disco fosse melhor que o anterior. Lover’s End tem algumas ótimas canções que mostram todas as virtudes da banda (alto-astral em arranjos sinfônicos delicados, com ótimas polifonias vocais), motivo pelo qual está na lista de melhores de 2010, mas também tem alguns poucos momentos em que a banda não se mostra tão inspirada.

O disco é dividido em oito faixas, e na maior parte do tempo mostra evolução da banda nas composições. Enquanto o primeiro disco enfatiza mais violões acústicos e o segundo mostra a banda explorando trechos mais elétricos, o novo trabalho equilibra melhor os arranjos. Dá pra dizer que o novo disco é uma mistura dos dois anteriores, como, por exemplo, em “The World’s Best Dreamers”, que poderia constar no primeiro álbum, e em “Heartland”, que poderia constar no segundo.

Os melhores resultados, entretanto, são atingidos quando a banda mistura as ênfases no acústico e no elétrico em uma mesma música. Os destaques nesta linha são “A Kid Called Panic” e “Crossing the Rubicon”, não por acaso as faixas mais longas do disco e que variam os estilos de um jeito que impressiona, com boas performances de todo o grupo. A última, em especial, lembra o estilo do primeiro álbum da banda, mas é melhor que a média das faixas daquele disco justamente por contar com boas guitarras elétricas.

Embora no todo Lover’s End não seja tão impactante quanto os dois discos anteriores, o novo trabalho mostra a banda sueca tentando evoluir e mudar seu som, ainda atingindo bons resultados. Se mantiver este espírito e continuar mostrando talento, é possível que eles venham lançar uma obra-prima em breve. Olho nos caras.

Inté!

24 de dez. de 2010

Convite para a festa de hoje



Recebi o convite abaixo do meu amigo André, e achei a ideia muito bacana! Por isso, resolvi colocar aqui no blog.

O Rock do Xaxim deseja a todos vocês um ótimo Natal e que vocês tenham muita paz e saúde por muito tempo!

Valeu!

Melhores de 2010: Il Tempio delle Cressidre - Il Tempio delle Cressidre


Há algum tempo, quando publiquei a primeira dica do Conqueror, comentei que faltava ao blog dicas de bons álbuns lançados por bandas italianas. Além do novo disco da banda, outros dois lançamentos de lá figuram entre os melhores deste ano que está no fim.

O disco de estreia homônimo da banda Il Tempio delle Cressidre é o primeiro deles. O som é típico do rock progressivo italiano tradicional, que lembra mais especificamente o Museo Rosenbach, alternando passagens sinfônicas com outros momentos em que o hard rock rola solto, tudo isso com produção moderna. Embora não apresente novidades, as composições fluem naturalmente em ambos os estilos, com ótimas variações em uma mesma música.

Não por coincidência, o vocalista Stefano Galifi é o mesmo cantor da principal influência da banda, e vai muito bem em todas as músicas. Os outros integrantes da banda também mandam bem em seus instrumentos, com especial destaque para a tecladista Elisa Montaldo. Embora alguns poucos momentoa sejam apenas razoáveis, a maioria das faixas do disco é acima da média, com destaque para “Le Due Metà di una Notte” e “Il Centro Sottile”.

Em um ano em que não houve grandes novidades no cenário progressivo, é sempre bom descobrir bandas novas e competentes, mesmo que o som remeta ao estilo mais tradicional dos anos 70, que foi o ápice do estilo e que pode sim ser repetido com boas composições.

Até!

19 de dez. de 2010

Melhores de 2010: Unitopia - Artificial


Em maio deste ano, postei a dica do primeiro disco da banda Unitopia, More Than a Dream, lançado em 2005 (a dica pode ser acessada aqui). Após o lançamento do álbum de estreia, a banda chamou a atenção do selo InsideOut, famoso por lançar vários artistas de peso no cenário progressivo (como por exemplo a banda Transatlantic), o que os tornou mais conhecidos.

Depois de lançar em 2008 o bom álbum duplo conceitual The Garden, em que a banda dá mais ênfase ao progressivo sinfônico, a banda apresentou neste ano Artificial, seu terceiro trabalho. A volta a um álbum simples fez bem aos caras, que equilibram melhor as influências sinfônicas, de world music e de pop que o álbum anterior.

Também conceitual, as letras deste disco lidam com algumas sensações que a vida moderna nos traz quando comparada com tempos que estão num passado não muito distante, aquela típica sensação nostálgica que faz com que muitos de nós digamos a manjada frase “no meu tempo as coisas eram melhores”. Diferentemente do que se pode imaginar, o tom do disco não é depressivo e convida à reflexão, além de celebrar as conquistas modernas, principalmente relacionadas à tecnologia.

Apesar de contar com várias mudanças em sua formação desde o primeiro disco, a força criativa da banda composta pelo tecladista Sean Timms e pelo ótimo vocalista Mark Trueack continua a mesma ao longo de toda a obra. O grande destaque é a faixa “Nothing Last Forever”, em que a banda reflete a nostalgia propositalmente clonando o The Beatles e que conta com um trecho orquestrado que só não é melhor por ser muito curto.

Outra faixa de destaque é “The Great Reward”, que volta à mesma melodia inspirada nos Beatles e que progride para um final sublime, em que o ouvinte se dá conta de que os novos tempos também oferecem grandes oportunidades, e que aproveitá-las depende de cada um de nós.

Com seu terceiro bom disco, a banda Unitopia se afirma com uma das melhores do cenário progressivo atual.

Até!

18 de dez. de 2010

Dica do Xaxim: Magenta - Live at Real World (2010)


Após pensar um pouco, resolvi não incluir álbuns gravados ao vivo na relação de melhores do ano, mas isso não impede que eu comente a respeito deles, até para que as pessoas fiquem sabendo de outros bons lançamentos.

Assim, resolvi postar a dica do disco Live at Real World, da banda galesa Magenta. Já comentei algumas vezes sobre essa boa banda e sua ótima vocalista Christina Booth, que lançou um disco solo neste ano já devidamente indicado (para ver a dica, clique aqui), mas nunca tinha postado uma dica de um disco da banda (e são todos pelo menos bons).

O trabalho foi gravado no final do ano passado, no estúdio Real World, de propriedade de Peter Gabriel, e contou com um pequeno público que acompanhou a gravação. Dado que a banda faz um som sinfônico, gravar um álbum acústico ao vivo, acompanhada de alguns instrumentos sinfônicos, parecia um passo natural para a banda. E foi exatamente o que eles fizeram, disponibilizando também um DVD.

O disco duplo é bem legal e apresenta músicas de todos os quatro discos da banda. Embora algumas músicas mais agitadas não tenham atingido grandes resultados (a exceção é o trecho escolhido para “Metamorphosis”, faixa-título do último disco da banda, que ficou ótima!), nos momentos mais sinfônicos e/ou calmos os arranjos ficaram excelentes, casando muito bem os instrumentos sinfônicos com os ótimos pianos e violões. Neste sentido, destacam-se “Children of the Sun” (um resumo da longa faixa originalmente gravada no primeiro disco da banda, Revolutions), “Moving On” e “Journey’s End” (do disco Home).

Finalmente, o fato de a maior parte do disco contar com arranjos delicados dá mais espaço para que a vocalista brilhe ainda mais. Outra vez sua performance é o ponto alto do disco, como demonstra o vídeo promocional do disco (abaixo). Se você ainda não conhece a banda, esta talvez seja uma boa opção para ter o primeiro contato. E se conhece, vale à pena conferir arranjos diferentes para grandes canções.

Inté!

11 de dez. de 2010

Melhores de 2010: Anima Mundi - The Way


Não é sempre que eu me deparo com um grande disco de uma banda que eu ainda não tenha ouvido, e confesso que não tinha muitas esperanças de encontrar uma grande novidade neste ano, por dois motivos: o ano começou devagar em lançamentos de rock progressivo (esquentou um pouco no segundo semestre) e os discos que mais me agradaram são de bandas que eu já conhecia.

Até que li comentários muito favoráveis sobre a banda Anima Mundi, que vem de Cuba. Eu nunca tinha ouvido nada de lá, e nem sabia que alguém da ilha do Fidel se dispunha a gravar rock progressivo. Esta é uma das maravilhas da internet, e resolvi conferir, apesar de muitas vezes me decepcionar com o que ouço. Desta vez, não me arrependi.

The Way é o terceiro disco da banda, com letras em inglês. É progressivo com “P” maiúsculo. Composto de quatro faixas, uma delas com 26 minutos, o disco apresenta todos os elementos que os fãs do progressivo tradicional procuram: muitas variações em uma mesma faixa, progressões que culminam em trechos sublimes e/ou sinfônicos, regressões para trechos acústicos, releituras de melodias vocais, longos trechos instrumentais com arranjos complexos em que se descobrem novos sons a cada audição, e por aí vai.

Na verdade, o álbum não apresenta novidades em termos musicais. Bandas como The Flower Kings e Spock’s Beard lançaram durante a década de 90 ótimos discos no mesmo estilo com produção moderna, isso sem falar nas bandas clássicas dos anos 70, cujas influências estão presentes ao longo de todo o disco. O que impressiona em The Way é a competência da banda. Há vários discos que apresentam o estilo tradicional do progressivo, mas poucos são tão bem-sucedidos.

Todas as faixas do disco agradam, mas meus destaques vão para a primeira, “Time to Understand”, que tem um final apoteótico e emocionante, e a última, “Cosmic Man”, que tem um longo trecho final que lembra em essência a obra-prima “Starship Trooper”, do Yes. No todo, esta banda é uma de minhas maiores descobertas dos últimos tempos, e vai ser difícil que algum outro álbum desbanque The Way como o disco do ano.

Até a próxima!

10 de dez. de 2010

Yes em São Paulo - 28/11/2010


Após onze anos, os fãs de progressivo foram brindados com o retorno de uns dos maiores ícones do gênero, o Yes. Banda seminal do rock independentemente do gênero, a vinda de Steve Howe, Chris Squire e Alan White por si só significam a presença nestas terras de três quintos de uma das mais representativas formações que já deram o ar da graça neste planeta.

Com casa cheia, o show estava incialmente marcado para as 21 horas, mas sofreu atraso de uma hora e meia, creditado a problemas no voo partindo de Florianópolis, por sua vez creditado a nossa sensacional Infraero. Como consequência, o show começou com o citado atraso e com o som algo embolado em “Siberian Khatru”, faixa de abertura dos shows do Yes desde a época de sua gravação no sensacional (e seminal) Close to the Edge.

Logo na faixa de abertura, a primeira grande surpresa do show. Apesar do andamento ainda mais lento que de costume e do som embolado (por não haver passagem prévia de som), o mestre Steve Howe mandou um solo fantástico no final da música, tocando com uma energia muito mais vibrante do que das vezes anteriores em que o vi, e que se repetiu ao longo de todo o show. Nota 10 pra ele!

A segunda faixa foi “All Good People”, clássico da banda gravado no The Yes Album, que pode ser vista no vídeo abaixo.



Após poucos o som foi entrando nos eixos, mas a banda claramente sofreu de cansaço e/ou falta de entrosamento, visto que eles estavam no estúdio e retomaram os shows ao vivo para uma pequena turnê pela América do Sul, e cometeu alguns erros. Mesmo assim, alguns momentos foram marcantes, como na sempre maravilhosa “And You and I”.



De surpresas (para quem não acompanha as notícias da banda), os caras mandaram bem em “Astral Traveller”, com um solo correto do Alan White, e em “Tempus Fugit”, faixa do álbum Drama que só pode ser incluída graças à substituição do Jon Anderson, que não participou da gravação original, pelo canadense Benoit David. O novo vocalista não brilhou, mas deu conta do recado, o que é uma tarefa bastante complicada, e seu timbre é tão parecido com o do Anderson que em dados momentos eu podia jurar que era o original cantando.

Sobre Oliver Wakeman, filho do melhor e mais mais carismático tecladista do Yes, achei-o burocrático e sem carisma. Ainda pode melhorar muito, mas me parece que a banda estava melhor servida com o tecladista que veio pra cá da última vez, o russo Igor Koroshev.

Por fim, Chris Squire continua dando seu show de sempre no baixo, ele que é um dos maiores baixistas que já vi tocar. Uma mostra do que ele ainda é capaz de fazer pôde ser vista e ouvida em "Starship Trooper", que encerrou o bom show.



Aproveito para agradecer os três vídeos bem legais que incluí no post (também disponíveis em HD), que passam uma ideia melhor do que rolou nessa grande noite. Estes vídeos gravados durante o show foram gentilmente cedidos pelo amigo Luciano “Fluid Man” Carneiro, ótimo tecladista da banda Dreamers (cover do Supertramp), e que estava a poucos metros de onde eu assisti ao concerto. Valeu, Luciano!

Até a próxima! :-)

Correria


Oi, pessoal,

peço desculpas pelo sumiço, mas final de ano é uma época bastante corrida para mim. Vou tentar tirar o atraso ao longo do mês, uma vez que ainda tenho que postar os demais discos que estão entre os melhores deste ano, além de minhas impressões sobre um grande evento que aconteceu por aqui. ;-)

Abraços!

21 de nov. de 2010

Melhores de 2010: Conqueror - Madame Zelle


Em março, escrevi a dica sobre o disco 74 Giorni, da boa banda italiana Conqueror (a dica pode ser acessada aqui). Eis que pouco depois a banda lançou seu quarto disco, Madame Zelle, e mais uma vez alcançou bons resultados.

O novo álbum também é conceitual e suas músicas giram em torno da história de Mata Hari, nome artístico da dançarina exótica Margaretha Geertruida Zelle, que foi acusada de espionagem durante a I Guerra Mundial e condenada a ser fuzilada.

O tema escolhido pela banda fez com que se apresentassem algumas passagens com influências orientais (caso de “Indonesia”) e outros que passam a impressão de um filme de ação (caso de “Margaretha”). Estes estilos, novidades no repertório da banda, contribuem para que o disco não soe como seu antecessor, dado que os arranjos delicados ainda predominam.

Os principais músicos da banda continuam os mesmos, com destaque especial para a tecladista e vocalista Simona Rigano, que mostra clara evolução nos dois papéis, como por exemplo em “Eleganza Perfetta” (que conta também com ótima performance da flautista e saxofonista Sabrina Rigano). Esta faixa é um dos destaques do disco, ao lado de “Occhio dell’ Alba” e “Ad Occhi Alti”, que fecha o álbum com chave de ouro.

Depois de mais um bom disco, talvez o melhor da carreira da banda até hoje, abanda se firma como uma ótima opção para quem gosta de rock progressivo italiano, embora apresente um estilo um pouco diferente do gênero.

Até a próxima!

14 de nov. de 2010

Melhores de 2010: Argos - Circles


De vez em quando acontece de eu ouvir um disco que a princípio não me chama a atenção, e depois de um tempo eu o acho melhor. Isso aconteceu com o disco homônimo da banda alemã Argos, lançado em 2009, depois que ouvi seu sucessor, Circles, lançado neste ano.

O novo disco da banda também levou um tempo para que eu pudesse curti-lo. Os caras fazem um progressivo eclético, misturando teclados típicos dos anos 70 com influências de jazz e uma levada rítmica mais atual, que nas primeiras audições dão a sensação de que a banda não sabe bem se quer se mostrar tradicional ou moderna.

Depois de algumas audições, essa sensação desapareceu. Na verdade, o disco mostra a banda mais madura e segura do que em seu disco de estreia, com boas composições. Essa mistura de tendências, embora não seja exatamente uma novidade, é levada com competência em arranjos complexos e bem pensados.

O que torna o disco acima da média é a priorização das composições, e não do virtuosismo a qualquer custo, coisa que costuma acontecer com bandas que incorporam influências de jazz em seu som. No caso de Circles, o estilo que predomina é o progressivo e as influências de outros estilos são utilizadas com parcimônia, na dose certa para tornar as músicas mais interessantes.

Eis um álbum em que vale à pena insistir. Com o passar do tempo, novos detalhes e nuances vão surgindo, e o álbum desce cada vez melhor. Tão melhor que entrou na minha lista de melhores do ano.

31 de out. de 2010

Melhores de 2010: Karnataka - The Gathering Light


No começo do ano escrevi duas dicas sobre a banda galesa Karnataka, nas quais especulei também sobre as bandas que derivaram de seu fim e que em minha opinião não atingiram o mesmo patamar (as dicas podem ser encontradas aqui). Eis que, para minha surpresa, o baixista Ian Jones, único remanescente da banda original, resolve lançar depois de seis anos um novo disco da banda com uma formação completamente diferente.

O resultado, The Gathering Light, é um disco bem legal. Como se trata de uma formação quase que inteiramente nova, é natural que o disco apresente mudanças em relação à formação original. Mais progressivo e elétrico que os anteriores, a “nova banda” mostra por vezes um som mais antenado com as tendências atuais, casos de “Your World” (com uma boa levada pop) e “Tide to Fall”. Em outras faixas, há uma influência maior de rock sinfônico, como na instrumental “State of Grace”, além da faixa-título, que também tem algo de música celta.

Mais do que poder ouvir um bom disco de rock progressivo misturado com pop, entretanto, é que dois fatos que o cercam chamam a atenção. Primeiro, a capacidade do baixista, que não é nada de outro mundo, de reunir gente competente a seu lado. Todos os músicos se saem bem ao longo do álbum, especialmente a boa vocalista Lisa Fury, também dona de um timbre algo grave e que não fica devendo muito à grande Rachel Jones.

Segundo, o fato de que outra boa formação como essa dura pouco. Pouco depois do lançamento do disco, a vocalista e mais dois integrantes decidiram deixar a banda, sem revelar os motivos, como da outra vez. Respondendo às minhas especulações, a melhor banda que derivou do Karnataka foi o... Karnataka. Mas esta também já não existe mais, o que me leva a especular se o baixista não tem também a mania de destruir as belas coisas que ajuda a criar.

22 de out. de 2010

Dica do Xaxim: Renaissance - A Song for All Seasons (1978)


Já faz um tempo que não posto uma dica de um bom disco de uma banda conhecida que não seja tão reconhecido. Não que a banda inglesa Renaissance seja muito conhecida do público em geral, mas muita gente que curte o progressivo sinfônico conhece.

A Song for All Seasons, gravado em 1978, apresenta duas mudanças no som da banda. Em seu segundo disco lançado por uma grande gravadora, nota-se claramente a tentativa de apresentar um som mais acessível ao público em geral, tanto que “Northern Lights”, talvez a música mais conhecida do grupo, foi tema de um seriado de TV na época.

Tal tentativa tem bons resultados em algumas faixas, como na citada “Northern Lights” e em “Closer Than Yesterday”, que não diferem muito das músicas mais curtas de discos anteriores. Em outras, entretanto, o resultado não é tão bom, principalmente devido à segunda mudança no som da banda: o competente baixista Jon Camp assume com mais freqüência os vocais principais. Ele até tem uma voz correta, mas não é páreo para a magistral Annie Haslam.

Mesmo com algumas críticas, o disco é bom, por dois motivos: primeiro, porque conta com a excepcional vocalista. Eu poderia escrever um livro elogiando essa moça, mas vou resumir dizendo que nunca ouvi alguém tão afinado com tamanha amplitude vocal, o que para mim só pode ser explicado como sendo um dom.

Segundo, porque o grupo se mostra em toda sua plenitude nas duas faixas mais longas do disco, “Day of the Dreamer” e a faixa-título. Ambas não fazem feio frente às obras mais conhecidas da banda e por si só já valem o álbum. A última, em especial, é uma das melhores performances do Renaissance, com sua marca registrada que apresenta o rock sinfônico e acústico, em arranjos sublimes acompanhados de uma voz angelical.

Até a próxima!

16 de out. de 2010

Dica do Xaxim: Carol of Harvest - Carol of Harvest (1978)


Durante a década de 70, algumas bandas procuraram misturar rock e folk, com variáveis doses de rock progressivo. Poucas delas alcançaram grande sucesso, como Led Zeppelin e Jethro Tull, ou tiveram algum reconhecimento, como Renaissance e Fairport Convention.

Há várias outras, entretanto, que passaram despercebidas. É o caso da banda alemã Carol of Harvest, que lançou um único álbum de mesmo nome em 1978 e que não teve reconhecimento algum. Não se sabe direito onde foram parar os membros da banda, e esse disco em sua versão original atualmente é item de colecionador. Não à toa, porque se trata de um álbum acima da média.

Contando com a boa vocalista Beate Krause, que por vezes lembra a Annie Haslam do Renaissance, a banda apresenta um som acústico, com bons violões sempre abrilhantados pela vocalista (caso de “Treary Eyes”). Em algumas faixas, entretanto, a banda se solta e mostra um rock competente, com boas guitarras e teclados, embora com menos brilho por parte da vocalista (casos de “Put on Your Nightcap” e “Try a Little Bit”).

Carol of Harvest é um bom e desconhecido disco gravado no final da década de ouro do rock. Por sorte ele foi relançado em CD com algumas faixas ao vivo, que não constam na versão original. Apesar do som destas faixas não estar lá dos melhores, o simples fato de disponibilizar um álbum legal e raro já é digno de aplausos.

3 de out. de 2010

Melhores de 2010: David Minasian - Random Acts of Beauty


David Minasian é um músico americano conhecido por produzir DVDs de bandas de rock progressivo. Seu trabalho mais elogiado é o vídeo Coming of Age, da banda Camel (que dispensa apresentações). Neste ano, ele resolveu mostrar suas músicas e lançou Random Acts of Beauty, gravando quase todos os instrumentos exceto guitarras.

O álbum não apresenta novidades em termos musicais, mas dá pra dizer que o cara foi muito bem-sucedido. A principal influência é o citado Camel, com aquelas progressões sinfônicas lentas e constantes recheadas de ótimos solos de guitarra e teclados (o disco conta inclusive com a participação do ótimo Andrew Latimer na faixa que abre o disco, a ótima “Masquerade”). Também podem ser percebidas influências de Pink Floyd em alguns momentos.

As músicas que mais se destacam são a já citada “Masquerade”, “Blue Rain”, “Frozen in Time”, música instrumental de quase 15 minutos que alterna passagens com arranjos delicados e outras mais bombásticas, contando inclusive com algumas guitarras um pouco mais distorcidas, e “Summer’s End”, que tem melodias bem legais e que impressionam.

Aproveito para agradecer mais uma vez meu amigo André, que foi quem me indicou este bom disco que consta na minha relação de melhores de 2010. Ele também escreveu um comentário sobre o álbum no blog Alerta Geral, que ficou muito bom e que pode ser acessado aqui. Recomendo tanto o blog quanto os textos que ele publica por lá.

Até a próxima!

25 de set. de 2010

Dica do Xaxim: Boston - Boston (1976)


Muita gente torce o nariz para a banda Boston porque o grupo foi um dos primeiros expoentes do gênero chamado AOR, que prima por melodias vocais grudentas sobre um rock/pop levado ao extremo e encharcado de camadas de instrumentos. O gênero é constantemente acusado de banalizar o rock ao abusar de estruturas simples e letras melosas, e esta banda talvez seja a mais atacada neste sentido, o que é uma baita injustiça.

Pelo que entendo, o mesmo massacre acontece em menor escala, por exemplo, com outro expoente do gênero, o Kansas. Isto se justificaria pelo fato de que esta banda tinha influências mais evidentes de rock progressivo, com algumas estruturas e harmonias mais complexas em seus primeiros discos, o que é fato. Entretanto, este raciocínio me parece incompleto por dois motivos: primeiro, porque o Boston também apresentava estruturas harmônicas mais complexas, embora em menor escala; segundo, porque dentro da proposta do AOR a banda lançou o melhor disco do gênero, justamente o de estreia.

Composto de oito músicas, Boston, gravado em 1976, começa com a ótima “More Than a Feeling”. Não é por acaso que essa canção é a mais famosa do grupo: trata-se de uma balada com trechos de guitarras distorcidas (fórmula que viria a ser utilizada à exaustão por outras bandas durante muitos anos), com melodias vocais inteligentes e refrão que gruda na cabeça, acompanhada de marcação por palmas e um riff de guitarra simples, mas muito eficiente.

O disco não fica nisso. Após o início matador, segue a ótima “Peace of Mind”, que não é tão romântica, mas que ainda apresenta melodias vocais inteligentes, emprestando as polifonias típicas do Queen. Depois dela, segue a melhor música gravada pela banda: “Foreplay / Long Time” mostra referências de rock progressivo de primeira linha em sua abertura, para depois culminar no AOR clássico, com riffs elétricos e acústicos que empolgam, vocal grudento, etc. Um musicaço!

As demais faixas do disco não deixam a peteca cair, entre as quais destaco a ótima “Hitch a Ride”, que tem uma levada mais roqueira. No todo, Boston é daqueles álbuns tão marcantes e competentes que ajudaram a criar um estilo e que influenciaram muita gente. Se o que veio depois é bom ou ruim, é outra conversa.