12 de fev. de 2012

Dica do Xaxim: Frames - Mosaik (2010)


Não sou grande fã de discos instrumentais ou com ênfase em músicas sem partes cantadas, com uma ou outra exceção. Sinto que a falta de letras torna a música mais “pobre”, e por isso considero muito difícil que uma banda se saia bem ao apostar somente no instrumental.

Gosto, por exemplo, de vários discos do Return to Forever, para mim a expressão maior do fusion, ou de alguns discos do Steve Hackett, mas normalmente discos desse tipo me enjoam. De vez em quando, me deparo com um disco desses que me chama a atenção, de tão bem composto e executado. Mosaik, trabalho de estreia do quarteto alemão Frames, é um deles.

A maioria dos discos instrumentais lançados nos últimos tempos não varia muito da fórmula “rock com solos virtuosos e pitadas de fusion”. Em seu disco de estreia, a banda alemã mandou muito bem. Embora não apresente variações de estilo entre as músicas, todas as composições apresentam variações, progressões e regressões bem executadas. Assim, as músicas apresentam tons minimalistas e/ou climáticos com bom uso de teclados e trechos mais bombásticos, com guitarras pesadas na medida certa.

Há uma ou outra influência de progressivo, mas o gênero que predomina é o chamado post rock. A banda não apresenta solos virtuosos e claramente prefere dar mais ênfase aos arranjos. Nesse sentido, tanto o tecladista Manuel Schoenfeld quanto o baixista Greger Röhring se sobressaem, contribuindo efetivamente para os arranjos ricos em detalhes, notadamente nas passagens mais calmas.

Se você procura um disco moderno com algo diferente do rock alternativo ou de guitarras destorcidas demais, Frames é uma ótima escolha. Mais que isso: independentemente do estilo, o álbum apresenta arranjos cheios de detalhes, que se revelam a cada audição. O resultado é um disco instrumental que prende a atenção do ouvinte e que não serve apenas como música de fundo para se ler um bom livro.

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