20/05/2012
Dica do Xaxim: Paul Cusick - P'Dice (2012)
Outro gênero de música que tenho curtido mais nos últimos tempos é o chamado crossover prog. Trata-se de mais um daqueles rótulos criados para tentar classificar um tipo de som que mistura vários estilos, neste caso o rock moderno com pitadas de progressivo.
Já comentei por aqui que não curto muito estes rótulos, que servem somente para indicar o tipo de som, ainda mais nestes casos em que a definição é um tanto quanto vaga. Como em todos os gêneros, há muita coisa medíocre e algumas coisas legais. De vez em quando acontece de encontrar algumas coisas legais.
É o caso do disco P’Dice, lançado neste ano por um inglês chamado Paul Cusick. Trata-se de segundo trabalho do cara, que pelo que pude entender resolveu trabalhar de forma independente, sem pertencer a uma banda. Seu primeiro álbum, Focal Point, teve resultados apenas razoáveis, mas o novo álbum me pareceu mais consistente.
Como o rótulo sugere, a tônica do disco é o rock mais pensado, com algumas passagens climáticas e algumas faixas de durações mais longas. O resultado, na média, agrada: misturando bem os climas mais agitados com outros mais calmos, o disco prende a atenção do ouvinte, mesmo sem mostrar nada excepcional.
Dentre as melhores faixas, destaco “Tears” e “You Know”, que demonstram maior maturidade, principalmente se comparadas com o disco de estreia. Fica aqui a torcida para que essa evolução se mantenha no próximo trabalho do artista.
Abraços!
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12/05/2012
Dica do Xaxim: Flying Colors - Flying Colors (2012)
Flying Colors é daqueles supergrupos formados por caras famosos. No caso, Neal Morse (teclados), Mike Portnoy (bateria) e Steve Morse (guitarras) se juntaram a Dave La Rue (baixo) e a Casey McPherson (vocais). O resultado foi lançado em março com alguma pompa.
Quando soube do lançamento, pensei com meus botões que ouviria outra banda com as longas composições do tecladista e vocalista, que pra mim tem dado claros sinais de desgaste, ainda mais considerando a constante temática religiosa. Só que não é nada disso. Pra começar, o tecladista não é o vocalista principal, embora apareça de vez em quando, e bem.
Além disso, o som do disco nem pode ser classificado de progressivo; trata-se de um disco de rock com estilos variados, passando por baladas, sons swingados dos anos 70, um ou outro momento mais puxado pro hard rock, outros mais pro pop, alguns um pouco mais pesados. Essa mistura, bem dosada e reforçada pela ordem das músicas, agrada e faz com que o disco não enjoe.
Outro ponto a destacar é a enorme competência dos músicos. Todos eles são muito talentosos e transitam bem entre os vários estilos apresentados. Embora todos sejam bastante conhecidos, não posso deixar de comentar sobre a grande performance do Steve Morse, que mais uma vez demonstra que é um guitarrista de mão cheia e um dos meus favoritos.
A maioria das faixas do disco agrada, mas o grande destaque, pelo menos pra quem curte progressivo, é "Infinite Fire", que encerra o álbum. Contando doze minutos, a faixa apresenta grandes temas musicais e vocais e revela o gênio inspirado do Neal Morse. Seu grande mérito é o de mesclar de forma efetiva influências de progressivo com o pop/rock que domina boa parte do disco, além de pitadas de jazz.
No todo, um disco bem legal e bem diferente do que eu esperava!
Até!
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05/05/2012
Dicas de discos lançados neste ano
Oi, pessoal,
Tenho ouvido alguns bons discos lançados neste ano, que, ao que parece, será bem melhor que o último, pelo menos do ponto de vista musical. Por isso, resolvi escrever logo sobre os mesmos ao invés de esperar para publicar os textos na seção dos melhores do ano, até para falar sobre as novidades enquanto ainda estão frescas.
Caso alguns destes discos façam parte da minha lista final de melhores do ano (o que certamente acontecerá), publicarei um comentário adicional, além de acrescentar uma tag nos posts originais para identificá-los como pertencentes à lista, como já tenho feito nos anos anteriores.
Abraços,
Sergio
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28/04/2012
Melhores de 2011: Discipline - To Shatter All Accord
Acho curioso o fato de que, apesar de não ser lá grande fã de alguns medalhões do rock progressivo como o King Crimson ou o Van der Graaf Generator, de vez em quando ouço discos influenciados por estas bandas que acho obrigatórios pra quem curte rock de qualidade.
Quando afirmo que não sou grande fã das bandas citadas, não quero dizer que não gosto dos discos que elas lançaram. Considero alguns desses discos muito bons e outros nem tanto, mas parece que na média os fãs do gênero veneram essas bandas tanto quanto eu coloco o Genesis entre minhas preferidas. Como todas elas têm estilos que as tornam únicas e diferentes entre si, entendo que cada um de nós se encanta por diferentes combinações dos detalhes destes estilos.
Liderada pelo vocalista e tecladista Matthew Parmenter, também responsável pelas composições, a banda americana Discipline lançou dois bons discos na década de 90 que misturam influências das três bandas citadas acima, com mais ênfase nas duas que não me encantam tanto. A mistura, no entanto, me agrada bastante. A banda toda é competente, ousada, e as composições são de alto nível.
Pois bem, neste ano os caras lançaram seu terceiro disco, To Shatter All Accord, depois de 14 anos. Não dá pra entender como os caras passaram tanto tempo sem lançar nada, porque o novo disco é ainda melhor que os anteriores, seguindo a mesma fórmula. As três primeiras faixas do disco são mais curtas e têm uma pegada mais roqueira, misturando as melodias vocais típicas do Peter Hamill com os ritmos intrincados do King Crimson e adicionando em alguns trechos influências do Genesis. Estas três faixas já justificam comprar o disco.
Entretanto, são as duas faixas de maior duração que realmente se destacam. A primeira delas, “When She Dreams She Dreams in Color”, é mais influenciada pelo VdGG, apresenta progressões lentas e longos trechos instrumentais que intercalam ênfases em teclados, guitarras e sax; a segunda, “Rogue”, é mais complexa, apresenta mais variações e mais influências de King Crimson e Genesis, com resultados excelentes e destaque para as guitarras de Jon Preston Bouda. Um musicaço!
Pode não soar lá muito original, mas a mistura é e a banda demonstra uma enorme competência. O resultado final lembra os grandes discos gravados na década de 70 sem deixar de ser moderno. Pra mim, o melhor disco do ano passado!
Até!
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22/04/2012
Dica do Xaxim: The Decemberists - The Hazards of Love (2009)
Nos últimos tempos, meu interesse pelo rock alternativo tem aumentado bastante. Procuro ouvir bandas desconhecidas que têm recebido bons reviews e de vez em quando acabo me deparando com um grande e inspirado disco, que é o caso desta dica do Xaxim.
A banda The Decemberists, natural de Portland, vem lançando discos há 10 anos. O estilo que predomina é o indie, mesclado com fortes doses de folk e um ou outro momento mais pesado. Em 2009, a banda lançou seu quinto disco, o conceitual The Hazards of Love.
O estilo do disco não difere muito do que a banda sempre usou. Além de misturar o indie e o folk, a banda consegue adicionar boas melodias vocais, com uso alternado das vozes do guitarrista Colin Meloy e da tecladista Jenny Conlee. Embora não sejam grandes cantores, eles usam a alternância de vozes de forma efetiva e que agrega um charme especial ao som.
Há alguns fatores que fazem com que The Hazards of Love se destaque em relação aos outros discos da banda e à média dos discos lançados recentemente. Primeiro, o fato de se tratar de um disco conceitual, com todas as músicas em torno de um mesmo tema e que fluem de maneira natural, funcionando bem individualmente e ainda melhor quando inseridas no conjunto da obra.
Segundo, o disco é excepcionalmente bem composto e bem produzido. As músicas vão alternando o estilo de forma que o disco não enjoa nunca. Mais do que isso, o disco conta com vários grandes momentos, sejam os mais calmos com destaque para melodias vocais, seja outros mais roqueiros que empolgam, além de outros mais pesados que lembram o Led Zeppelin, misturado com tendência modernas.
Terceiro, a banda parece estar particularmente inspirada neste disco. Todos os integrantes se apresentam muito bem, com destaque para o excelente uso de instrumentos alternativos nos momentos mais puxados para o folk, como bandolim e acordeão.
Por fim, a banda faz uso do manjadíssimo truque dos artistas de rock progressivo de repetir algumas melodias musicais e vocais ao longo do disco, com roupagens diferentes. Embora não seja algo original, a banda soube fazê-lo na dose certa, incluindo aí a repetição de melodias vocais que, em dado momento, é cantada por crianças, o que não é tão comum.
No todo, trata-se de um grande disco, daqueles que a gente ouve do início ao fim e depois ouve outra vez. É daqueles casos em que se pode ouvir uma música ou outra, mas que fica melhor ainda quando apreciado na íntegra. É isso que justifica o lançamento de um álbum conceitual e neste sentido The Hazards of Love atinge seus objetivos com louvor!
Até a próxima!
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31/03/2012
Melhores de 2011: Sean Filkins - War and Peace & Other Short Stories
Sean Filkins foi o vocalista da banda inglesa Big Big Train durante bom tempo. Apesar de nunca ter sido um grande cantor, a impressão geral após a separação foi a de que sua carreira longe da banda que alcançou algum sucesso no meio progressivo corria sério risco. Três anos depois, já se pode dizer que a separação foi benéfica para ambos os lados. O Big Big Train lançou o bom disco The Underfall Yard em 2009 e o ótimo EP Far Skies Deep Time em 2010. Em 2011, o vocalista lançou seu disco de estreia, War and Peace & Other Short Stories; embora continue um cantor fraco, seu disco é muito bom.
Em carreira solo, o vocalista se revelou um compositor de mão cheia. Contando com uma boa banda de apoio, o disco alterna momentos mais pesados com outros mais puxados pro pop, o que confere um tom moderno ao álbum, além de momentos que apresentam grandes melodias progressivas. A forma como estes trechos se sucedem é o que chama mais a atenção, fluindo com impressionante naturalidade e rara inspiração.
O disco apresenta algumas faixas mais curtas, mas é nas mais longas que a citada inspiração dá as caras. A primeira delas, “Prisoner of Conscience”, tem duas partes que somam meia hora de duração, com os estilos se alternando de forma efetiva, o que por sua vez ajuda a contar uma boa estória, como o título do álbum sugere. Para se ter uma ideia dos resultados alcançados, alguns trechos poderiam ter sido assinados pelo genial Neal Morse, mas (e isto é importante) sem deixar de apresentar uma assinatura própria.
Entretanto, é em “Epitaph for a Mariner” que o artista alcança os melhores resultados, também alternando os estilos que resultam em uma ótima estória musicada que tem 20 minutos porque essa é a duração apropriada para contá-la, e não porque para fazer progressivo é necessário gravar músicas longas. Mais que isso, a música apresenta uma progressão efetiva e empolgante que casa perfeitamente com a estória e termina com um trecho de piano muito bonito, mas algo melancólico. Uma das melhores músicas de 2011 que ouvi.
Como comentei no início da dica, o ponto fraco do disco é a voz do cara, e os vários arranjos em tons altos não ajudam, embora façam sentido para as músicas. Se o disco contasse com um cantor melhor, este seria o disco do ano com sobras. Mesmo assim, entendo que o artista é o compositor do disco e tem todo direito de cantá-lo. Por isso, está de parabéns pelo ótimo trabalho!
Até!
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11/03/2012
Melhores de 2011: Magic Pie - The Suffering Joy
Já comentei por aqui sobre a banda norueguesa Magic Pie e seu ótimo disco Circus of Life, lançado em 2007 (link aqui). Em 2011, a banda lançou The Suffering Joy, que, embora apresente um som mais puxado pro prog metal, mostra uma banda em grande forma. Escolher um disco preferido entre os dois citados é mera questão de gosto. Para o meu, o novo álbum não é tão impactante, mas fato é que também este novo trabalho apresenta ótimas composições, com um estilo um pouco diferente, sendo que em alguns momentos o estilo predominante do disco anterior dá as caras, ou seja, não se trata de uma ruptura definitiva. Mais do que isso, o novo trabalho mostra uma evolução consciente, ao qual a banda tem todo direito.
Por se tratar de uma evolução consciente, as composições soam naturais, passando a sensação de que a banda não empreendeu grandes esforços para a mudança, o que as torna ainda melhores. Neste sentido, a faixa-título se destaca: misturando prog metal, sons árabes e trechos sinfônicos influenciados pela banda The Flower Kings, esta faixa sozinha mostra uma banda muito competente e vale o disco.
As boas músicas não param por aí. “Slightly Mad” mantém as características da faixa-título, com alguns trechos mais puxados pro jazz que apresentam ótimos trabalhos da cozinha rítmica formada pelo baterista Jan T. Johannessen e pelo baixista Lars Petter Holstad. Já “Headlines” é daquelas faixas pra lá de inspiradas, com maior ênfase no sinfônico e uma melodia vocal bem legal e ótima participação de toda a banda. Para mim, a melhor música do disco e uma das melhores do ano passado.
Com o novo disco, o Magic Pie se firma como um dos principais expoentes do rock progressivo escandinavo e certamente gravará outros bons álbuns no futuro.
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25/02/2012
Melhores de 2011: Agents of Mercy - The Black Forest
Não dá pra dizer que Roine Stolt, o líder do The Flower Kings, não seja um cara ativo. Entretanto, ele tem aparecido em projetos paralelos, como a banda Agents of Mercy, que lançou seu terceiro disco em três anos. Como o último álbum de sua banda principal, The Sum of No Evil, foi lançado em 2007, e o progressivo sinfônico do Agents of Mercy é basicamente o mesmo do The Flower Kings , há especulações quanto ao futuro de uma das maiores bandas do estilo das últimas duas décadas. De qualquer forma, dos três discos da nova banda, The Black Forest, lançado no ano passado, é o mais regular e o melhor deles.
O novo álbum mostra uma banda mais entrosada em boas composições, que mesclam de forma efetiva passagens mais sinfônicas com outras que puxam mais para o pop, muitas vezes dentro de uma mesma música. A competência do guitarrista continua dando as caras, assim como a da banda em geral. Além disso, há vários momentos com melodias vocais que grudam na mente e que me agradaram bastante.
Tais melodias vocais poderiam ser ainda mais agradáveis se a banda contasse com um vocalista melhor. Definitivamente, o guitarrista, que é um cantor sofrível, usa critérios para a escolha de vocalistas que não batem com os meus. Apesar de afinado e melhor cantor que o próprio guitarrista, Nad Sylvan não tem uma voz muito comum e que não é bonita, pelo menos pro meu gosto.
Mesmo com este ponto negativo, o disco agrada. Não há uma música ruim no álbum, mas “Citadel”, “Freak of Life” e principalmente “Kingdon of Heaven” (este um musicaço!) se destacam. No todo, The Black Forest é um álbum legal de ouvir.
Até!
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18/02/2012
Dica do Xaxim: Van Halen - A Different Kind of Truth (2012)
Eu comecei a ouvir rock em geral influenciado pelo boom provocado pelo primeiro Rock in Rio. Eu continuo ouvindo rock, e fiquei satisfeito em saber que uma das maiores bandas daquela época está de volta, com sua formação quase original depois de 28 anos. Sempre curti pra caramba o Van Halen, sem fazer muita distinção entre a fase com o David Lee Roth ou com o Sammy Hagar nos vocais, que é mais uma daquelas discussões que levam a lugar nenhum. Considero apenas mais um exemplo de ótima banda que tem duas fases diferentes, ambas com suas qualidades.
Duas destas qualidades, comuns aos dois períodos, se sobressaem: o rock descompromissado, leve, irreverente e empolgante, dosado com maestria com momentos de alto apelo pop, que mostra uma banda que se diverte fazendo música; e a presença do excepcional Eddie Van Halen, que em minha opinião revolucionou o jeito de se tocar guitarra e que influenciou muita gente, o que o credencia como um dos três melhores que já ouvi.
Consta que, em 1984, David Lee Roth e o guitarrista quebraram o pau e depois disso não se falavam. Neste período, chegaram a gravar juntos duas faixas inéditas para uma coletânea; o guitarrista venceu um câncer. E vinte oito anos depois, voltaram a gravar juntos um disco inteiro, A Different Kind of Truth, que privilegia o estilo do famoso álbum que conta com “Panama”, “Jump” e outras pérolas (o que é ótimo!), mas incorpora algumas influências da segunda fase com o Sammy Hagar.
Embora a banda não apresente grandes mudanças em estilo, os efeitos da maturidade são claramente notados. Ao mesmo tempo em que a banda não se mostra tão irreverente (o que é esperado), ela também se mostra mais experiente, diria até que mais entrosada. Não me parece o caso de que o segundo efeito compense inteiramente o primeiro, mas o que chama a atenção é que, mesmo depois de tanto tempo, os caras são capazes de lançar um bom disco, aparentemente sem grande esforço.
Esta percepção leva a duas conclusões: primeira, a de que o disco é bom, mas poderia ser ainda melhor, conclusão esta reforçada pela presença de algumas faixas mais fracas entre as 13 do álbum, que poderiam ser limadas; segunda, a de que somente grandes bandas conseguem gravar um disco depois de tanto tempo que, mesmo que sem grandes novidades, ainda assim contém grandes faixas.
Falando sobre estas, curti desde a primeira audição “The Trouble with Never”, “She’s the Woman”, “You and Your Blues”, “Stay Frosty”, “Big River” e “Beats Workin’” (todas com grandes solos típicos do guitarrista). Mas a melhor de todas, disparado, é “Tattoo”, faixa que abre o álbum com todas as características de uma grande banda que está de volta!
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12/02/2012
Dica do Xaxim: Frames - Mosaik (2010)
Não sou grande fã de discos instrumentais ou com ênfase em músicas sem partes cantadas, com uma ou outra exceção. Sinto que a falta de letras torna a música mais “pobre”, e por isso considero muito difícil que uma banda se saia bem ao apostar somente no instrumental. Gosto, por exemplo, de vários discos do Return to Forever, para mim a expressão maior do fusion, ou de alguns discos do Steve Hackett, mas normalmente discos desse tipo me enjoam. De vez em quando, me deparo com um disco desses que me chama a atenção, de tão bem composto e executado. Mosaik, trabalho de estreia do quarteto alemão Frames, é um deles.
A maioria dos discos instrumentais lançados nos últimos tempos não varia muito da fórmula “rock com solos virtuosos e pitadas de fusion”. Em seu disco de estreia, a banda alemã mandou muito bem. Embora não apresente variações de estilo entre as músicas, todas as composições apresentam variações, progressões e regressões bem executadas. Assim, as músicas apresentam tons minimalistas e/ou climáticos com bom uso de teclados e trechos mais bombásticos, com guitarras pesadas na medida certa.
Há uma ou outra influência de progressivo, mas o gênero que predomina é o chamado post rock. A banda não apresenta solos virtuosos e claramente prefere dar mais ênfase aos arranjos. Nesse sentido, tanto o tecladista Manuel Schoenfeld quanto o baixista Greger Röhring se sobressaem, contribuindo efetivamente para os arranjos ricos em detalhes, notadamente nas passagens mais calmas.
Se você procura um disco moderno com algo diferente do rock alternativo ou de guitarras destorcidas demais, Frames é uma ótima escolha. Mais que isso: independentemente do estilo, o álbum apresenta arranjos cheios de detalhes, que se revelam a cada audição. O resultado é um disco instrumental que prende a atenção do ouvinte e que não serve apenas como música de fundo para se ler um bom livro.
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21/01/2012
Melhores de 2011: Nemo - R€volu$ion
Em 2009, incluí o disco Barbares, da banda francesa Nemo, na relação de melhores álbuns daquele ano. No ano passado, a banda lançou R€volu$ion, que não é tão bom quanto seu antecessor, mas ainda assim figura entre os melhores de 2011. O som dos caras não muda muito em estilo, que alterna de forma bem dosada partes mais pesadas com outras mais melódicas. O formato do disco é que muda um pouco: o disco é composto de faixas mais curtas, com cinco minutos de duração; em compensação, apresenta apenas duas faixas mais longas, uma delas sendo uma longa suíte.
A razão pela qual considero o novo disco inferior aos anteriores é que nas faixas mais curtas a banda não se mostra tão inspirada e os resultados são apenas medianos. Já nas faixas mais longas, a banda se mostra mais à vontade, apresentando trabalhos melhor resolvidos e sem tanta ênfase nas partes mais pesadas, mistura esta que me agrada mais. O solo de guitarra em “Seul Dans le Foule” é ótimo, daqueles que fazem a gente viajar.
A melhor faixa do disco é mesmo a suíte “Loins des Yeux (Barbares parties VIII à XII)”, que parece ser uma continuação do disco anterior. As partes são bem divididas e funcionam bem tanto individualmente quanto no conjunto da obra, coisa que infelizmente é cada vez mais rara de se ouvir nos discos de progressivo lançados nos últimos tempos. Também alternando momentos mais pesados com riffs matadores e outros trechos mais melódicos em que o piano se destaca, além do ocasional uso de polifonias vocais, a suíte tem um resultado final acima da média.
E como a suíte sozinha dura quase metade do disco, o resultado final é um dos melhores discos do ano. É verdade que 2011 não foi dos melhores para o cenário progressivo e que R€volu$ion não é ótimo, mas se trata de um bom álbum para se ouvir.
Inté!
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29/12/2011
Dica do Xaxim: Supertramp - Even in the Quietest Moments... (1977)
Resolvi dar uma pausa nas dicas de melhores discos do ano para falar sobre mais um grande disco de uma banda do segundo escalão. OK, o Supertramp é bem conhecido por muita gente, mas não dá pra dizer que seja daquelas citadas por muita gente como uma banda top. Quem conhece e curte a banda costuma relacionar os álbuns Crime of the Century e Breakfast in America como grandes discos, e têm razão em classificá-los desta forma. São mesmo dois discaços, embora com estilos um pouco diferentes. Entre os dois álbuns citados a banda lançou outros dois discos, sendo que Even in the Quietest Moments... é quase do mesmo nível dos mais famosos da banda, mas não é tão reconhecido sabe-se lá porquê.
Pra começar, o disco contém as famosas e excelentes “Give a Little Bit”, “From Now On” e “Fool’s Overture”, esta última talvez uma das três melhores músicas gravadas pelo grupo e que apresenta claras influências de rock progressivo (que não era a tônica do grupo). A questão é que todas as demais músicas do disco são boas. Tanto “Lover Boy” quanto “Downstream” e “Babaji” são deliciosas. E como não se apaixonar pelo folk rock da faixa-título, com uma progressão constante tão típica da banda?
Even in the Quietest Moments... é um grande disco, gravado por uma ótima banda que estava pra lá de inspirada. Pra mim, é um disco obrigatório pra quem curte boa música.
Até!
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24/12/2011
Melhores de 2011: Man on Fire - Chrysalis
Não dá pra dizer que a banda americana Man on Fire seja comum. Já na estrada há um bom tempo, os caras sempre gravaram discos que misturam vários estilos e tendências. O problema é que a banda nem sempre acertou a mão, o que resultou em discos irregulares. Já tinha ouvido os álbuns anteriores dos caras e sempre tive a impressão de que eles nunca tiveram medo de sair do lugar comum, mas como os resultados eram variados, minha opinião sobre eles era a seguinte: apesar de competente, a banda por vezes derrapa feio, mas quando acerta a mão, sai de baixo.
Em estilo, na maior parte do tempo a banda soa como uma mistura do groove do Jamiroquai com o rock do Faith No More, mas sem o acid jazz do primeiro e a voz forçada de pato do segundo. A este caldeirão a banda adiciona algumas pitadas de rock progressivo, mas eu não diria que é a principal influência da banda.
Em Chrysalis, o quarto disco do grupo lançado após seis anos, os caras mais acertam do que erram. O novo álbum repete a fórmula dos discos anteriores ao misturar (em ótima produção) rock com tendências modernas dos mais variados estilos, mas soa mais maduro. Além disso, a presença em algumas faixas de vocais femininos emprestados da soul music, o que não é algo original, conta com arranjos ficaram legais que casaram bem com o som da banda.
Entretanto, a principal característica da banda é a habilidade de compor músicas com arranjos complexos, modernos e que servem de suporte a ótimas melodias, por vezes com apelo pop. Esta característica, já demonstrada em algumas faixas nos discos anteriores, dá mais as caras no novo álbum, motivo pelo qual eu o considero o mais maduro do grupo até agora.
Neste sentido, a faixa “Gravity” se destaca ao encerrar o álbum com dez minutos variados, além de “A (Post-Apocalyptic) Bedtime Story”, esta uma faixa mais direta e apaixonada, com bons arranjos por vezes sinfônicos e ótima presença do vocalista Jeff Hodges, também responsável pelos teclados. Mas a grande música do disco é “Repeat It”, que abre o álbum: moderna, com um groove pegajoso e um refrão empolgante, é daquelas músicas deliciosas que a gente nunca consegue ouvir sem repetir.
O trocadilho, neste caso, é proposital. ;-)
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18/12/2011
Melhores de 2011: Magenta - Chameleon
Depois de três anos, a banda galesa Magenta lançou seu novo disco, Chameleon. Já falei sobre eles várias vezes por aqui, e acho que não é novidade que se trata de uma de minhas bandas preferidas do cenário atual, apesar do grupo não apresentar uma proposta original.Pelo que pude entender das entrevistas da banda, os caras tinham material para gravar dois discos de estilos um pouco diferentes, um mais calcado no progressivo sinfônico, estilo em que a banda se sente mais à vontade, e outro com músicas mais curtas que pendem mais pro pop. Eles acharam que era hora de dar uma variada e acabaram priorizando a segunda opção.
Essa tendência não chega a ser uma novidade no trabalho da banda. Pra começar, antes de que a vocalista Christina Booth e o tecladista Rob Reed formassem a banda, eles gravaram um EP sob o nome de Trippa, alcançando bons resultados. Além disso, o terceiro disco da banda, Home, também apresenta tal tendência e também alcança bons resultados.
Entretanto, Chameleon na média não alcança resultados tão bons. Isto acontece a meu ver porque a banda parece em alguns momentos ficar em dúvida entre gravar uma faixa pop, o que entendo geraria protestos de seus poucos fãs, e manter uma linha melódica mais sinfônica. Assim, o disco contém algumas faixas que são apenas razoáveis, casos de "Breathe" e "Raw".
Mesmo com estes pontos negativos, o disco tem suas virtudes. Destacam-se as faixas "Guernica", "Book of Dreams" e "Red", esta uma balada com ótimas melodias e que fecha o disco em grande estilo. Os ótimos arranjos também dão as caras, com boas presenças tanto do tecladista Rob Reed quanto do guitarrista Chris Fry.
E como não poderia deixar de ser, a vocalista Christina Booth mais uma vez é o grande destaque. Ela parece incapaz de cantar mal, seja qual for o estilo. Mesmo que as faixas do disco não estejam entre suas interpretações mais brilhantes, sua voz continua tornando as músicas melhores. Tão melhores que acabam fazendo com que Chameleon esteja entre os melhores discos do ano.
Até!
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04/12/2011
Música do ano: Yes - We Can Fly
Vou abrir uma exceção aqui: não falarei sobre um grande disco, nem sobre um dos melhores discos do ano. Falarei sobre uma única música excepcional daquelas que fazem a gente ouvir de novo e de novo e de novo. Para mim a melhor música do ano, e que música!Não pretendo babar ovo por aqui e se um disco não está entre os melhores do ano, entendo que ele não merece uma dica, mesmo no caso em que o lançamento seja de uma banda consagrada. Mesmo sendo do Yes, minha banda preferida. Como venho tentando ser cada vez mais eclético e minha preferência por eles continua imutável, isso não representa pouca coisa. Neste ano, os caras voltaram com a formação do ótimo Drama, sendo que Trevor Horn ficou responsável somente pela produção (na qual é um cara de indiscutível competência) e Benoit David assumiu os vocais.
O disco, na média, fica devendo. Os caras optaram por lançar uma suíte longa, dividida em partes, que apresenta altos e baixos. As demais músicas apresentam resultados irregulares, o que faz com que o disco esteja longe de ser um dos destaques da banda. Mas uma das partes da suíte representa o ponto alto do disco. Mais que isso, trata-se de um musicaço, que incorpora muitas das características que fazem do Yes minha banda favorita. E isso merece, sim, um comentário elogioso.
“We Can Fly” foi originalmente composta na época do Drama, o que por si só já é um atestado de qualidade. Sou daqueles fãs do Yes que venera o Jon Anderson, mas que reconhece o esforço da banda mesmo sem um de seus mentores. Isso acontece em meu caso porque entendo que, além do vocalista, a banda tem outro mentor, que atende pelo nome de Chris Squire. Em Drama, que conta com os também ótimos Alan White e Steve Howe, a banda superou a ausência do mítico vocalista e apresentou um ótimo disco de rock progressivo antenado com as tendências da época.
Pois bem, a banda teve a feliz ideia de lançar de forma oficial a faixa composta há mais de 30 anos, inserindo-a numa suíte. Questiono a decisão, porque a música se destaca muito em relação ao todo; por outro lado, aplaudo a decisão, porque a mesma desta vez recebeu o tratamento que merece em temos de produção. Composta por Trevor Horn e Geoff Downes, a música apresenta a ênfase em melodias que grudam no ouvido típicas dos Buggles. Também composta por Chris Squire, a faixa apresenta as progressões e regressões que fazem desta música especial.
Mais que isso, a música conta com os bons vocais de Benoit David, que emula o timbre do Jon Anderson sem deixar de imprimir sua personalidade. Mas é o baixista quem realmente se destaca, tanto ao apresentar suas características linhas inquietas quanto ao mostrar com a competência de costume os arranjos polifônicos, algumas vezes assumindo a voz principal, que é ótima!
O resultado final é uma música excelente, que mesmo não estando entre as principais da banda, mostram a competência de uma banda muito acima da média. Sozinha, esta música vale o disco!
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Melhores de 2011: Anubis - A Tower of Silence
Uma das boas surpresas deste ano é o segundo disco da banda australiana Anubis. Interessei-me em ouvi-lo após ler vários elogios por aí. Embora minha experiência mostre que quase sempre os elogios são exagerados, neste caso isto aconteceu em menor grau. Formada em 2004, a banda lançou seu primeiro álbum em 2009. Em seu segundo trabalho, A Tower of Silence, os caras apresentam um rock progressivo que mistura estruturas clássicas do gênero com outras mais características do neo-prog, fazendo uso por vezes de riffs um pouco mais pesados. A banda lembra em estilo os conterrâneos do The Third Ending (já indicados aqui), mas com menos ênfase em tons modernos e com menor brilho.
A primeira faixa, a suíte “The Passing Bell”, conta com 17 minutos de duração e demora um pouco para engrenar, o que acontece lá pelo décimo minuto. Daí em diante a música flui melhor, com as partes se alternando em bons arranjos e progressões que culminam em um ótimo solo de guitarra no final que parece ter sido gravado pelo David Gilmour. Além da suíte, a faixa-título também se destaca por apresentar uma boa balada com variações, mais uma vez melhorando na segunda metade e neste caso atingindo ótimos resultados.
Outro destaque do disco é a faixa “The Holy Innocent”. Trata-se de mais uma música um pouco longa (neste caso, quase 12 minutos) que demora pra engrenar, mas o final apresenta um bom solo de saxofone, que, embora não seja virtuoso, casa muito bem com apoteose imaginada pela banda. A faixa mais bem resolvida do disco é a última, “All That Is”, mais constante e que engrena logo do começo, apresentando ao longo de seus 11 minutos ótimos arranjos que resultam em uma música de primeira.
No todo, A Tower of Silence é um bom álbum de uma banda com potencial. Olho nos caras.
Inté!
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19/11/2011
Melhores de 2011: Liam Davison - A Treasure of Well-Set Jewels
Em junho passado, escrevi a dica sobre o EP de estreia da carreira solo de Heather Findlay, ex-vocalista do Mostly Autumn. Naquela época elogiei a moça, já que a fórmula de sua banda de origem estava desgastada há tempos e o EP se mostrou renovado. Pouco tempo depois, soube que Liam Davison, outro integrante da banda, também tinha lançado seu primeiro disco solo, desta vez um LP completo. Apesar de ser um dos fundadores do grupo, o guitarrista nunca teve grande destaque e sempre foi um cara discreto, sendo na maior parte do tempo um músico de apoio, pelo menos em minha percepção.
O guitarrista chegou a sair do grupo em 2006 e tinha como projeto gravar A Treasure of Well-Set Jewels, que não foi concluído. Ele voltou ao Mostly Autumn em 2009, e seu trabalho solo acabou sendo lançado somente neste ano. Contando com seus colegas de banda Iain Jennings (teclados) e Gavin Griffiths (bateria), além da própria Heather Findlay e da Anne-Marie Helder cantando em algumas faixas, o estilo do disco não difere muito de sua banda de origem, cuja principal influência é o Pink Floyd.
O que o torna este disco bem legal é o foco das composições. Enquanto os últimos discos do Mostly Autumn mostram uma banda que não sabe aonde quer chegar e acaba compondo faixas medianas com uso excessivo de solos cheios de efeitos e enjoativos do guitarrista Bryan Josh, Liam Davison optou por composições mais efetivas e equilibradas em ótimos arranjos. Há também bons solos de guitarra, mas sem grandes pirotecnias, na medida exata para os climas das músicas.
Todas as faixas do álbum são boas, com destaques para “Once in a Lifetime” (com a Heather Findlay nos vocais) e “Picture Postcard”. Dá pra dizer que este é o melhor disco do Mostly Autumn em muito tempo. Liam Davison está de parabéns pelo trabalho, inclusive por me ajudar a perceber sua importância nos primeiros discos da banda.
Até a próxima!
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13/11/2011
Melhores de 2011: Phideaux - Snowtorch
Lá em 2009, quando este blog dava seus primeiros passos, indiquei o disco do Number 7 da banda Phideaux como um dos melhores daquele ano. Você pode conferir um pouco da história da banda e minha opinião sobre o disco neste link. Naquela dica, comentei também que a parte final de uma trilogia, chamada de Number 7 ½, tinha sido adiada para que Number 7 fosse lançado, e que era aguardado o lançamento da tal parte final em curto período de tempo. Pelo jeito, a banda mudou seus planos, e ao invés de lançá-lo, reapareceu no começo de 2011 com o álbum Snowtorch. Mais uma vez, a banda alcançou bons resultados.
O novo trabalho apresenta algumas mudanças de estilo na comparação com seu antecessor: primeiro, o disco enfatiza o som mais psicodélico que lembra o Pink Floyd, deixando um pouco de lado as demais influências apresentadas em Number 7, a não ser por um ou outro trecho mais sinfônico; segunda (e esta mais importante), o álbum apresenta um formato diferente, contando com apenas quatro faixas sendo duas longas e duas curtas.
Como já comentei algumas vezes por aqui, considero que a dificuldade de compor uma música é (entre outros aspectos) diretamente proporcional à sua duração, dado que manter o pique e o interesse do ouvinte por muito tempo parece-me um baita desafio. Pois bem, em “Snowtorch (Part I)”, uma das longas faixas que abre o álbum, a banda foi muito bem sucedida nesse quesito. Cheia de variações e um longo trecho instrumental com partes sinfônicas, a faixa não enjoa nunca e o resultado final é excelente.
A outra faixa longa, “Snowtorch (Part II)”, também atinge bons resultados apresentando arranjos diferentes e por vezes mais modernos às linhas vocais da primeira parte. Embora o truque seja feito com competência e apresente uma progressão bastante efetiva em seu final, o resultado final não é tão impactante quanto na faixa de abertura. Sobre as faixas mais curtas, “Helix” apresenta o mesmo estilo mais psicodélico dos álbuns anteriores, enquanto “Coronal Mass” também apresenta arranjos diferentes para a melodia instrumental que se repete ao longo do disco, desta vez com maior influência sinfônica.
No todo, Snowtorch é mais um grande álbum de uma das melhores bandas de rock progressivo da atualidade. Talvez seu antecessor seja (muito pouco) melhor, mas isto não tira o brilho do novo trabalho.
Abraços!
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05/11/2011
Lista de melhores de 2011
Oi, pessoal,
Assim como no ano passado, criei uma nova categoria para facilitar a pesquisa das dicas referentes aos melhores de 2011, inaugurada por este post.
Apesar de já estarmos em novembro, ainda estou montando a lista para publicar os comentários aqui no blog. A demora acontece por dois motivos: primeiro, a falta de tempo, que se explica por si só; segundo, confesso que estava desanimado com a média dos discos lançados neste ano, salvo uma ou outra exceção. Os oito primeiros meses do ano contaram com lançamentos de bandas importantes sobre os quais eu tinha algumas expectativas, quase sempre não atingidas.
Parece que muitas bandas resolveram lançar novos discos no final do ano, mas ainda não consegui ouvir tudo. Do que ouvi até agora, a média destes últimos lançamentos tem sido melhor, o que embaralhou a lista que eu já tinha montada. De qualquer forma, já tenho alguns textos quase prontos sobre discos que devem se manter na lista e em breve começo a publicá-los, ok?
Abraços,
Sergio
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30/10/2011
Dica do Xaxim: Faces - A Nod Is As Good As a Wink... to a Blind Horse (1971)
Semana passada estava conversando sobre a banda Free, que indiquei recentemente a meu amigo João Affonso, também fã de progressivo e de rock em geral. Durante o papo, ele me comentou que estava ouvindo o álbum A Nod Is As Good As a Wink... da banda Faces. Acho que estou ficando velho, porque quando ele me recomendou o disco, que não tem um título comum, eu achei que já o tinha ouvido antes. Olhei minhas anotações (eu mantenho um catálogo com notas para todos os discos que ouço) e constatei que já tinha dado uma nota alta para o álbum, que, sabe-se lá porque, caiu no esquecimento por mais de três anos. Resolvi então revisitá-lo e redescobri um belo trabalho, digno de uma dica aqui no blog.
Segue um pouco de contexto histórico: a banda foi formada em 1969 e sucedeu ao Small Faces, que por sua vez contava com o vocalista Steve Marriot, que foi formar o Humble Pie. Os membros remanescentes então encurtaram o nome da banda e trouxeram para a formação dois caras que tocavam com o Jeff Beck, o vocalista Rod Stewart e o guitarrista Ron Wood, que mais tarde se tornariam mais famosos em carreira solo e no Rolling Stones, respectivamente.
A Nod Is As Good As a Wink... é o terceiro disco da banda, e é muito bom. Apresentando um rock básico de muita qualidade, com uma ou outra pitada de hard rock e outras mais frequentes de blues, o álbum tem nove faixas que satisfazem qualquer fã do gênero, alternando momentos mais agitados com outros um pouco mais calmos. A maioria delas tem como destaque o bom Rod Stewart com sua voz rouca que casa perfeitamente com os estilos citados, e quem conhece apenas sua carreira solo e pensa que ele é um cantor pop não imagina do que ele é capaz, mesmo sem recorrer a grandes firulas.
Os momentos mais agitados são os que mais me agradam, e dentre eles destaco a ótima faixa de abertura “Miss Judy’s Farm”, além de “Stay With Me” e “That’s All You Need”, que encerra um álbum que é mais um exemplo de que há muita coisa bem legal pra se ouvir de bandas do chamado segundo escalão.
Inté!
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